terça-feira 3 de março

A Relevância dos Data Centers na Competitividade Tecnológica

Eduardo Peixoto, CEO do CESAR, enfatiza que, para Pernambuco se destacar no cenário tecnológico, a instalação de data centers é imprescindível. O Estado possui vantagens, como energia renovável e áreas disponíveis, mas enfrenta desafios significativos na conectividade internacional e na falta de uma política fiscal que favoreça a aquisição de equipamentos tecnológicos.

A rápida evolução da economia digital tornou os data centers essenciais para países e regiões que buscam se tornar competitivos. Esses centros não são apenas locais de armazenamento; eles concentram poder computacional, atraem cadeias produtivas e suportam plataformas digitais, inteligência artificial e serviços críticos. Embora Pernambuco tenha ativos positivos, como um ecossistema tecnológico robusto e energia limpa, a carência de infraestrutura de conectividade internacional limita seu potencial nesse mercado global.

O Papel do CESAR na Inovação e Formação de Talentos

Com uma trajetória iniciada em 1996, o CESAR se firmou como um pilar fundamental no Porto Digital e na construção de uma economia pautada pela tecnologia no Nordeste. A instituição evoluiu em sincronia com a evolução da internet comercial no Brasil, transformando Recife em um polo de software e design. Além de desenvolver soluções tecnológicas, o CESAR investe na formação de novos talentos e em projetos complexos voltados para diversos setores.

Para explorar o potencial de Pernambuco na atração de data centers e a consolidação de uma economia digital sólida, Eduardo Peixoto concedeu uma entrevista à jornalista Larissa Aguiar, onde discutiu aspectos técnicos e regulatórios necessários para atrair investimentos. Ele também falou sobre a importância do capital de risco e da educação tecnológica para o crescimento do setor.

Atraindo Investimentos em Data Centers

Peixoto acredita que Pernambuco possui um potencial considerável para atrair investimentos em data centers. O Estado conta com áreas disponíveis, especialmente em Suape, além de recursos hídricos e energia limpa em abundância, fatores cruciais para a operação dessas estruturas. No entanto, a falta de conectividade internacional ainda é um grande obstáculo. Outras regiões, como Fortaleza, se destacam por serem pontos de conexão direta com cabos submarinos, o que facilita o tráfego de dados e redução da latência.

A conectividade direta é vital, uma vez que múltiplas interrupções no tráfego de dados aumentam o tempo de resposta e diminuem a competitividade das operações. Além disso, é necessário garantir um fornecimento contínuo de energia renovável, água para refrigeração, logística eficaz para a importação de equipamentos e incentivos fiscais. Embora Pernambuco tenha parte desses requisitos, a infraestrutura de cabos submarinos deve ser uma prioridade.

A Soberania Digital e a Maturidade Tecnológica

A presença de data centers é considerada um aspecto estratégico para o Brasil, dado o aumento da dependência de plataformas digitais. Para Peixoto, ter uma infraestrutura própria de processamento e armazenamento é uma questão de soberania digital. Os data centers não apenas criam oportunidades econômicas, mas também atraem empresas de tecnologia e fortalecem o mercado local.

Ele argumenta que a instalação desses centros é um indicador importante da maturidade digital de uma região, refletindo a capacidade de sustentar uma economia digital robusta com infraestrutura adequada e um ambiente regulatório favorável. Para isso, é essencial que Pernambuco desenvolva sua conectividade internacional, assegurando a chegada de cabos submarinos e melhorando a confiabilidade das conexões globais.

Desenvolvendo um Ambiente Competitivo

Peixoto aponta que três condições devem ser atendidas para que Pernambuco se torne competitivo nessa corrida por data centers. Primeiro, deve-se assegurar a conectividade internacional por meio da instalação de cabos submarinos; segundo, é necessário garantir um fornecimento contínuo e em larga escala de energia limpa; e, por fim, um ambiente regulatório e fiscal que torne a importação de equipamentos menos onerosa.

Ele menciona discussões em curso, como o Redata, que busca reduzir impostos sobre a importação de maquinário para data centers. A competitividade tributária é crucial, pois a alta do custo de equipamentos pode levar investimentos para estados ou países com condições mais favoráveis.

Caminhos para o Futuro de Pernambuco

O CESAR tem um papel central na discussão sobre infraestrutura digital e soberania tecnológica. A instituição atua em várias frentes, conectando pesquisa aplicada à inovação, formação profissional e desenvolvimento tecnológico. Apesar de não construir ou operar data centers, o CESAR desenvolve soluções e talentos que dependem dessa infraestrutura para escalar suas operações.

Eduardo Peixoto reafirma que, para o desenvolvimento de Pernambuco na economia digital, é necessário fortalecer a infraestrutura digital, a educação tecnológica e a inovação. O CESAR, ao longo de sua trajetória, se tornou um hub de inovação, atraindo empresas e formando profissionais capacitados para o mercado. Com as condições certas, Pernambuco pode se tornar um protagonista na economia digital, aproveitando seus talentos e cultura inovadora para atrair investimento estratégico em data centers.

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