Ação do prefeito marca um novo capítulo na gestão de turismo em São Paulo
No último dia 25, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tomou uma decisão drástica ao demitir o secretário adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e o presidente da SPTuris (São Paulo Turismo), Gustavo Pires. O motivo? Denúncias de irregularidades em contratos que envolvem valores milionários. As exonerações foram anunciadas por Nunes em sua rede social, onde o prefeito esclareceu que, assim que as acusações vieram à tona pela imprensa, ele imediatamente decidiu instaurar uma investigação interna para averiguar os fatos.
A revelação que impulsionou a ação do prefeito veio à público na última sexta-feira (20). O jornal Metrópoles noticiou que Rodolfo Marinho é sócio de Nathália Carolina de Silva Souza, fundadora da agência MM Quarter. Desde que Marinho assumiu seu posto, a empresa de Nathália vem sendo contratada de forma recorrente pela SPTuris e pela Secretaria de Turismo, totalizando até agora cerca de R$ 183 milhões em contratos com a prefeitura. A reportagem também indicou que a agência estaria utilizando o nome de Nathália como um suposto “laranja”, sem que houvesse um vínculo direto com a companhia.
Durante o anúncio, Nunes afirmou: “Vocês devem ter acompanhado, no dia 20 saiu uma matéria trazendo denúncias sobre uma empresa fornecedora da prefeitura de São Paulo. Hoje, a controladoria me trouxe documentos referentes a esta apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho.” Essa declaração reflete a seriedade com que Nunes está tratando as denúncias.
Embora o prefeito não tenha mencionado diretamente a saída de Gustavo Pires, a nomeação do coronel Salles, ex-comandante da Polícia Militar, para o cargo de presidência da SPTuris, indicou uma mudança na liderança da entidade. “Estou demitindo e exonerando Rodolfo Marinho e também estou nomeando Coronel Salles para presidir a SPTuris. Nós não permitimos irregularidade no nosso governo”, afirmou Nunes, enfatizando sua postura firme contra a corrupção.
A MM Quarter, por sua vez, não ficou calada diante das acusações. Em nota, a agência classificou como “falsas” as alegações de que sua sócia administradora seria um “laranja”. A empresa destacou que Nathália está ativamente envolvida na condução dos negócios, apresentando registros como e-mails, fotos e documentos que comprovam sua participação em decisões administrativas e operacionais. Além disso, a MM Quarter ressaltou que possui lastro patrimonial e fiscal compatível, evidenciando a origem lícita de seus rendimentos e a regularidade no pagamento de impostos.
A empresa também se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre todas as contratações, afirmando que todos os processos seguidos respeitaram critérios técnicos e exigências legais. O caso evidencia a necessidade de uma gestão transparente e responsável em instituições públicas, especialmente em um setor tão vital quanto o turismo, que não só movimenta a economia, mas também afeta a imagem da cidade de São Paulo.
As demissões e as acusações levantam questionamentos sobre a integridade dos processos de contratação em empresas que atuam com a administração pública. A resposta à investigação será crucial para a recuperação da confiança da população e dos investidores no setor de turismo, especialmente em um momento em que a cidade busca se reerguer após os impactos da pandemia. A expectativa agora é que as investigações tragam à luz toda a verdade e, caso necessário, que medidas corretivas sejam tomadas para assegurar uma gestão pública sempre ética e transparente.

