Denúncia Chocante de um Profissional da Saúde
O médico oftalmologista Paulo Menezes fez uma grave denúncia pública contra o Hospital Esperança, situado no Recife (PE), após sua esposa, Camila Menezes, de 38 anos, ter entrado em estado vegetativo após uma cirurgia que deveria ser simples. O procedimento, realizado em 27 de agosto, deixou Camila em uma situação crítica, e cinco meses depois, ela ainda está internada em um centro de reabilitação.
Segundo Paulo, Camila foi admitida na unidade médica para corrigir uma hérnia inguinal e remover uma pedra na vesícula, condição adquirida durante a gravidez da segunda filha do casal. Em seu relato, o médico aponta uma série de eventos que, em sua opinião, revelam a negligência dos profissionais envolvidos na cirurgia.
Um dos pontos mais alarmantes da ocorrência foi a parada cardiorrespiratória que Camila sofreu, a qual se estendeu por cerca de quinze minutos. “Após a cirurgia, decidimos investigar a situação e acessamos os parâmetros do monitor multiparamétrico, um dispositivo que fornece informações sobre a frequência cardíaca, respiratória e a saturação de oxigênio. Para nossa surpresa, percebemos que, desde a indução anestésica, os pulmões não estavam sendo ventilados”, declarou Paulo.
O oftalmologista expressou sua confusão sobre onde ocorreu o erro na equipe médica. “O fato é que o oxigênio não estava chegando aos pulmões”, afirmou. Para ele, se a equipe tivesse percebido rapidamente que Camila não estava recebendo oxigênio, a situação poderia ter sido facilmente corrigida. “Seria uma intercorrência simples, mas isso não ocorreu. A capnografia, que deveria ficar entre 35 e 40, oscilou entre 1 e 2 durante todo o tempo. Esse quadro se prolongou por cerca de 6 a 10 minutos até que a cirurgiã iniciasse o procedimento”, acrescentou.
É importante ressaltar que a capnografia é um método crucial para monitorar a concentração de dióxido de carbono nos gases respiratórios, e sua falta deve ser tratada com urgência. Durante a cirurgia, a mulher permaneceu em apneia, e a análise das máquinas de monitoramento indicou que a ausência de oxigênio resultou em uma diminuição da frequência cardíaca. Apesar disso, a médica responsável pelo procedimento teria desconsiderado o alarme que, segundo Paulo, emitiu um sinal sonoro constante, comumente chamado de “bip”.
“Por um intervalo de dois minutos e meio a três, baseando-me nos dados do monitor, nada foi feito. A cirurgia concluiu com minha esposa em parada cardíaca. Entretanto, a médica registrou em prontuário que o procedimento ocorreu sem intercorrências”, relatou Paulo, acusando a equipe médica de negligência.
O relato comovente de Paulo não termina aí. Ele revelou que está se desdobrando entre as responsabilidades de pai, marido e médico. Morando em Arcoverde, a cerca de uma hora e vinte minutos de carro de Recife, Paulo se vê na necessidade de dividir seu tempo entre visitar a esposa internada e cuidar dos filhos em casa.

