Desafios na Educação Paulistana
A volta às aulas no estado de São Paulo traz à tona questões urgentes relacionadas à cobertura educacional. Um leitor recentemente levantou preocupações sobre o processo de distribuição de classes entre professores, um tema que, apesar de sua relevância, demorou a ser abordado pela Folha de S.Paulo. Segundo informações, houve mudanças significativas nesse processo, deixando muitos sem respostas claras, e o secretário Renato Feder se pronunciou ao Metrópoles sobre a nova estrutura de vetos por diretores, além de decisões judiciais que limitaram algumas dessas medidas.
No último sábado (31), a Folha destacou a inquietação de pais de alunos com deficiência, mas a problemática é muito mais ampla, envolvendo cerca de 200 mil docentes e mais de 3 milhões de alunos. “A atribuição de aulas tem deixado professores efetivos, adidos e temporários sem jornadas, em meio à redução de disciplinas de humanas e fechamento de salas”, escreveu José Ailton da Silva, 27, de Assis, em uma crítica à cobertura da situação.
Fábio Haddad, editor de Cotidiano, respondeu aos questionamentos do leitor, ressaltando que a cobertura sobre educação no estado é abrangente. “Abordamos a falta de verbas para reformas, a progressão de carreira dos professores, as mudanças nas cargas horárias e disciplinas, além das falhas em sistemas de avaliação”, afirmou ele. Haddad também mencionou que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi recentemente pauta do jornal, indicando que o tema é complexo e constantemente em evolução.
Outra crítica recebida foi sobre o reajuste do piso salarial dos professores, que foi recentemente revisto pelo governo federal. Luiz Bardal, um engenheiro e advogado de São Paulo, expressou sua insatisfação com o aumento de apenas 0,37%. “Esse valor não tem peso e, definitivamente, não passa dignidade. Exijo respeito, como cidadão e produto dessa mesma educação”, afirmou, chamando a atenção para a urgência de um debate mais profundo sobre o tema.
Perspectivas e Desafios na Imprensa
A complexidade da situação educacional no Brasil é refletida em dados que mostram que, entre 2017 e 2023, a contratação de professores temporários cresceu 42%, e a Folha revelou que nenhum estado assegura o piso nacional a esses profissionais. “Acredito que a imprensa tem um papel fundamental na discussão, mas me pergunto: quantos profissionais da Redação da Folha passaram por escolas públicas? Isso pode fazer diferença na cobertura”, questionou um professor que preferiu não ser identificado, refletindo sobre a falta de diversidade nas redações.
Embora haja tentativas de incluir políticas de diversidade e inclusão, as redações ainda predominantemente refletem realidades de classes médias e altas. Muitas vezes, a experiência familiar reproduz essas desigualdades, dificultando uma cobertura mais rica e diversificada. A educação, em sua amplitude, abrange desde a pré-escola até o ensino superior, incluindo temas como comportamento e política, mas na Folha, a educação é tratada como uma subeditoria, sem a devida estrutura.
Enquanto o ensino superior ainda encontra algum espaço para discussão, as primeiras etapas da educação enfrentam uma pressão significativa, com recursos limitados. A distância entre a educação pública e a privada se torna ainda mais acentuada, e uma cobertura jornalística mais densa poderia ajudar a conectar melhor as questões que envolvem alunos e suas realidades nas reformulações de iniciativas como a Folhinha e Folhateen.
Problemas de Edição e Repercussão
Na última quinta-feira (29), a Folha enfrentou um erro editorial significativo ao entregar aos assinantes uma coluna de Sérgio Rodrigues duplicada na mesma edição em que aparecia outra coluna, de Mauricio Stycer. O jornal incluiu uma correção na área de Erramos, mas sem solucionar o problema adequadamente. A Ilustrada, que publica a coluna de Stycer, possui um prazo de fechamento mais cedo, o que complicou a publicação correta.
Os leitores expressaram suas reações ao erro. Ailton Tenório, de São Caetano do Sul, compartilhou sua confusão ao perceber que dois colunistas estavam abordando o mesmo assunto. “Foi estranho. Quase o mesmo texto. Alguém não notou isso?”, questionou, refletindo sobre a necessidade de uma revisão mais cuidadosa por parte da equipe editorial.

