quarta-feira 18 de fevereiro

A Importância da Economia Criativa em Pernambuco

Pernambuco possui um vasto potencial criativo, mas enfrenta grandes desafios para transformar suas ações culturais em uma força econômica significativa. Enquanto isso, a cultura local continua a ser uma fonte de riqueza, especialmente em eventos como o Carnaval de 2026. Diferente do que se esperava, a imagem que pode marcar este Carnaval não será a do presidente Lula na folia ou a famosa escultura de Dom Helder Câmara, mas sim a camisa retrô da Pitombeira. Essa peça, que aparece no filme ‘O Agente Secreto’, que concorre ao Oscar em março, foi vestida por diferentes pessoas durante a celebração, reforçando a conexão entre a cultura e a economia.

A camisa retrô ilustra bem o potencial da economia criativa em Pernambuco, que abrange muito mais do que apenas a produção de vestuário. O Estado tem uma cadeia produtiva rica que se estende por festividades como o Carnaval e o São João, mas que ainda não é tratada com a mesma seriedade que setores tradicionais, como a agroindústria e a indústria automotiva. Dados recentes indicam que o impacto financeiro do Carnaval de 2026 em Pernambuco pode chegar a R$ 2,4 bilhões, um valor considerável, mas que fica aquém do que Salvador arrecadou, estimado em R$ 1,8 bilhão, consolidando a Bahia como a principal referência no Nordeste.

Transformando o Carnaval em Plataforma Estratégica

A Bahia conseguiu transformar seu Carnaval em uma potente plataforma da economia criativa, refletindo a força das comunidades locais e a diversidade cultural do Estado. A economista Tânia Bacelar destaca a necessidade de Pernambuco não apenas reconhecer, mas também estruturar e definir a economia criativa como um eixo econômico estratégico. A comparação com a ferrovia Transnordestina demonstra a urgência dessa organização econômica.

A diversidade cultural de Pernambuco é uma riqueza que pode ser explorada economicamente, como demonstrou a reconstrução do Recife nos anos 70, que revitalizou o interesse pela cidade. O filme de Kleber Mendonça, ambientado em Recife, não só trouxe à tona a beleza da capital, mas também a importância de se enxergar a cultura como um ativo econômico.

Oportunidades e Desafios da Economia Criativa

Consultor Jefferson Lucas, da Capibaribe Analytics, complementa que Pernambuco encontra um equilíbrio entre sua identidade ancestral e a ambição global. A economia criativa do Estado não deve ser vista apenas como uma festividade, mas sim como uma engrenagem que sustenta milhares de famílias e posiciona o Estado como um polo de vanguarda financeira na América Latina.

Para que esse segmento se consolide como um ativo estratégico, é crucial articular a cultura com o turismo, a hotelaria e eventos, gerando empregos e renda de forma sustentável. A produtora Marcela Silva, da Festa Preciosa, observa que Salvador já está no caminho certo. Em 2026, a cidade deve receber 3,4 milhões de turistas, estabelecendo-se como um exemplo de como a economia criativa pode se transformar em um negócio global.

Foco e Identidade: O Caminho para o Sucesso

A diferença entre Pernambuco e a Bahia pode estar na definição de foco. Enquanto a Bahia escolheu consolidar o frevo e diversificou seu Carnaval, Pernambuco ainda enfrenta dificuldades para escolher entre seus diversos ritmos. Essa falta de direção é um desafio que precisa ser superado, especialmente agora que o Carnaval do Recife e de Olinda ganhou reconhecimento global.

Essa reflexão é um convite para que os atores da economia criativa em Pernambuco pensem além do período carnavalesco. A colaboração com o Governo do Estado será fundamental para desenvolver um planejamento estratégico que beneficie todos os envolvidos e promova o crescimento sustentável da economia criativa nos próximos anos.

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