domingo 3 de maio

Desafios da Educação de Jovens e Adultos

A educação de jovens e adultos (EJA) enfrenta desafios significativos em Pernambuco e em todo o Brasil. O acesso, a ampliação das matrículas e a permanência dos alunos nessa modalidade são temas que preocupam educadores e autoridades. Segundo dados do Censo Escolar, o número de matrículas na rede pública estadual e municipal de ensino em Pernambuco caiu de 123.712 em 2024 para 116.976 em 2025, resultando em uma perda de 6.736 alunos, ou 5,4% do total.

No dia 22 de abril, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) convocou uma audiência com as Secretarias de Educação do Recife (Seduc) e de Pernambuco (SEE-PE) para discutir propostas que visam qualificar a oferta da EJA. O evento, realizado no auditório do Centro Cultural Rossini Alves Couto, teve como foco a garantia do direito à educação para aqueles que, ao longo da vida, não conseguiram concluir os estudos na idade apropriada.

O promotor de Justiça Salomão Abdo Aziz Ismail Filho, que presidiu a audiência, enfatizou a importância do projeto “EJA JÁ: o MPPE em defesa da Educação de Jovens e Adultos”, iniciado em 2023 para monitorar a oferta e a aplicação das políticas públicas nesta área. “Acompanhamos periodicamente, em parceria com as gestões de educação, o cumprimento de metas como a redução da evasão e o aumento das matrículas. A audiência pública é uma forma de ouvir a população sobre suas críticas e sugestões em relação às secretarias e ao MPPE”, destacou.

Divulgação e Permanência: Os Grandes Desafios

Durante a discussão, o promotor apontou dois eixos centrais que precisam ser abordados: a divulgação da EJA e a permanência dos alunos nas escolas. “Melhorar a divulgação é essencial, especialmente nas periferias e entre a população adulta que não conseguiu concluir os estudos. Apesar do esforço das secretarias, é necessário ampliar essa comunicação”, afirmou.

Além disso, a permanência dos estudantes na escola é igualmente crítica. Segundo o promotor, “não basta garantir a matrícula; é imprescindível que o aluno se mantenha motivado”. Ele ressaltou que isso está relacionado também aos turnos em que a EJA é oferecida. Atualmente, o município disponibiliza essa modalidade apenas no período da tarde, enquanto o estado oferece opções de manhã, tarde e noite. A alegação de falta de demanda para o turno matutino, segundo ele, não deve ser um impedimento para a criação de turmas, mesmo que em número reduzido.

Outro ponto abordado foi a necessidade de equiparação dos direitos dos estudantes da EJA aos da educação regular, como acesso a materiais escolares e equipamentos tecnológicos. “A demanda por tablets é antiga. Garantir a entrega regular de livros didáticos é fundamental, e, conforme relatos da audiência, isso voltou a acontecer após um período de interrupções”, afirmou.

Ações Propostas para Melhorar a EJA no Recife

Entre as recomendações feitas à Seduc, destacam-se a ampliação das turmas no período diurno, o fortalecimento da divulgação das matrículas e a oferta de profissionais de educação especial, além do suporte psicológico e coordenação pedagógica no turno da noite. A infraestrutura das escolas, como bibliotecas e salas de leitura, também foi um ponto enfatizado.

Bruno Oliveira, gerente da EJA do Recife, explicou que a secretaria está realizando um mapeamento contínuo da demanda. “Porém, a procura para o turno da manhã ainda é baixa e dispersa. A maioria dos alunos prefere estudar perto de casa, o que dificulta a formação de turmas matutinas”, disse.

Sobre a distribuição de materiais, Oliveira informou que os livros didáticos do MEC e os kits escolares já foram entregues e estão sendo repassados nas 106 turmas da EJA. Além disso, foram promovidas iniciativas para tornar as aulas mais atrativas, como saraus, oficinas de música e parcerias com instituições culturais da cidade, ampliando assim as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Propostas do Estado para Fortalecer a EJA

A SEE-PE também apresentou medidas, sugerindo a expansão do quadro de profissionais de apoio, aprimoramento da formação das equipes escolares e melhorias na infraestrutura das unidades. A integração com a Secretaria de Administração Penitenciária para a oferta de turmas em ambientes prisionais foi igualmente mencionada.

Danilo Santos, secretário executivo de Desenvolvimento da Educação da SEE, ressaltou a importância de um acolhimento eficaz. “Precisamos focar na formação dos docentes, que devem trabalhar com atividades diferenciadas e priorizar o acolhimento de quem chega à EJA, muitas vezes após longos períodos fora da sala de aula”, declarou.

Por fim, a participação da diretora de Políticas de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos do MEC/SECADI, Ana Lúcia Sanches, e de representantes de sindicatos, universidades e da sociedade civil na audiência reforçou a relevância do diálogo entre diferentes setores na busca por soluções para os desafios da EJA em Pernambuco.

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