sexta-feira 27 de fevereiro

Implicações da Saída dos EUA da OMS

Os Estados Unidos estão prestes a oficializar sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (22), apesar dos alertas sobre os impactos negativos que essa decisão pode causar tanto na saúde pública americana quanto na saúde global. A saída também contraria uma legislação que estipula que Washington deve regularizar o pagamento de aproximadamente US$ 260 milhões em taxas pendentes à agência de saúde da ONU.

A decisão de deixar a OMS foi comunicada por Donald Trump logo no início de seu mandato, no ano de 2025, por meio de uma ordem executiva. De acordo com as regras estabelecidas, o país precisaria informar a OMS com um ano de antecedência e quitar todas as suas obrigações financeiras antes de se desligar da entidade.

Na manhã de quinta-feira, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA declarou que a falha da OMS em gerenciar crises e compartilhar informações efetivas custou aos americanos trilhões de dólares. Ele ainda afirmou que o presidente suspendeu a transferência de quaisquer fundos, apoio ou recursos do governo americano à organização de saúde.

“O povo americano já contribuiu mais do que o suficiente para essa organização, e o impacto econômico que enfrentamos é significativamente maior do que qualquer pagamento inicial a ser realizado”, destacou o porta-voz em um comunicado enviado por e-mail.

Reconsideração e Retorno Improváveis

Ao longo do último ano, diversos especialistas em saúde global têm solicitado uma reavaliação dessa decisão, incluindo o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que em coletiva de imprensa no início do mês expressou esperança de que os EUA reconsiderem sua posição e voltem a integrar a organização.

“A saída dos EUA da OMS é uma perda tanto para o país quanto para o restante do mundo”, enfatizou Tedros. A OMS também alertou que os Estados Unidos ainda não regularizaram os pagamentos referentes aos anos de 2024 e 2025. A situação deverá ser discutida em fevereiro no Conselho Executivo da OMS, conforme informou um porta-voz da entidade à Reuters.

Lawrence Gostin, diretor fundador do Instituto O’Neill de Direito da Saúde Global da Universidade de Georgetown, comentou que a saída dos EUA representa uma clara violação da legislação americana, mas acredita que Trump pode não enfrentar consequências por essa ação.

Durante uma entrevista à Reuters em Davos, Bill Gates, presidente da Fundação Gates, que é uma das principais financiadoras de iniciativas de saúde globais e de parte das atividades da OMS, declarou que não espera uma mudança de postura dos EUA em relação à organização no curto prazo. “Não acredito que os EUA retornarão à OMS em um futuro próximo”, afirmou Gates, ressaltando a importância da OMS no cenário da saúde mundial.

Consequências da Retirada para a Saúde Global

A saída dos EUA da OMS poderá precipitar uma crise orçamentária na organização, resultando em uma redução significativa de sua equipe e atividades. Tradicionalmente, Washington é o maior financiador da agência da ONU, respondendo por cerca de 18% do financiamento total. Como consequência imediata, a OMS poderá reduzir seu quadro de funcionários em aproximadamente 25% até meados deste ano.

A agência de saúde enfatizou que, ao longo do último ano, tem trabalhado em colaboração com os EUA e trocado informações. Contudo, não está claro como essa cooperação poderá funcionar após a retirada oficial.

Especialistas em saúde global alertam que a saída dos EUA representa riscos consideráveis não apenas para o país, mas também para a OMS e para o mundo. Kelly Henning, líder do programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies, uma organização sem fins lucrativos, salientou que “a retirada dos EUA da OMS pode enfraquecer as dotações e colaborações que são vitais para detectar, prevenir e responder a ameaças à saúde pública”.

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