O Cenário do Transporte sobre Trilhos no Brasil
O transporte sobre trilhos, que abrange metrôs, trens, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e monotrilhos, está passando por uma fase de transição no Brasil. Embora tenha iniciado um novo ciclo de expansão, o progresso ainda é aquém das necessidades urbanas do País. Conforme apontado no Balanço Anual do Setor Metroferroviário 2025, divulgado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) em abril de 2026, o setor registrou um total de 2,59 bilhões de passageiros transportados ao longo do ano, resultando em uma média diária de 8,7 milhões de usuários em dias úteis.
No entanto, apesar dessa recuperação após a pandemia, a expansão da malha ferroviária foi modesta, com um crescimento de apenas 7 km no último ano, acumulando um total de 1.144,7 km. Atualmente, há 20 projetos em andamento que somam 138,7 km e 123 novas estações, com prazo de conclusão previsto entre 2026 e 2028.
A Importância da Transparência e Planejamento
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A diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, enfatiza a relevância de sistematizar esses dados para qualificar o debate sobre mobilidade. Isso é especialmente crucial em anos eleitorais, quando o planejamento deve se traduzir em ações concretas que superem a histórica procrastinação de promessas. “O Balanço organiza, sistematiza e confere transparência às informações do setor metroferroviário. É uma ferramenta que orienta o debate público com base em evidências, qualificando a formulação de políticas e o direcionamento de investimentos, especialmente em um momento em que o País discute suas prioridades”, afirma Lira.
Desigualdade Regional no Setor de Transporte
A disparidade regional é uma característica marcante no transporte sobre trilhos no Brasil. A região Sudeste, com destaque para São Paulo, que responde por 77% dos passageiros, e o Rio de Janeiro, com 12,7%, concentram quase 60% da extensão operacional total da rede nacional. Essa concentração é resultado de metrópoles com mais de 10 milhões de habitantes, que exigem sistemas de alta capacidade, incluindo metrôs e trens metropolitanos, que somam 682,8 km apenas nesses dois estados.
Por outro lado, o cenário no Nordeste se distingue por sistemas de menor escala, frequentemente atendendo localidades com menos de 500 mil habitantes. Contudo, a região vem se destacando pela capilaridade e diversidade de modais, especialmente através da expansão dos VLTs. Estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Piauí contam com redes que, apesar de transportar menos passageiros, são cruciais para a mobilidade local. O Nordeste também apresenta frentes importantes de expansão, como os novos sistemas de VLT planejados para Salvador (BA), Campina Grande (PB) e Arapiraca (AL).
Pernambuco em Foco: Desafios e Oportunidades
Ao analisar os dados por estado, o balanço revela que o Piauí experimentou o maior crescimento relativo do País em 2025, com um aumento de 30,1% no número de passageiros, impulsionado pela implementação da política de Tarifa Zero no VLT de Teresina. Em contrapartida, Pernambuco se destaca negativamente, apresentando a maior retração absoluta, com uma perda de 8,4 milhões de passageiros. Essa queda é atribuída às severas restrições orçamentárias enfrentadas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que afetaram diretamente a oferta de serviços em Recife e em outras capitais nordestinas, como Natal, João Pessoa e Maceió.
Enquanto o Sudeste se concentra na expansão de linhas de metrô e projetos de trens intercidades, o Nordeste busca consolidar redes de VLT. Na Bahia, por exemplo, o antigo Trem do Subúrbio de Salvador foi desativado para dar espaço a um novo sistema de VLT com mais de 30 km de extensão, com previsão de entrega dos primeiros trechos a partir de 2027. Essa diferença de perfil mostra que, enquanto o Sudeste lida com a saturação de grandes sistemas, o Nordeste se esforça para estruturar modais mais eficientes e adaptados a cidades em crescimento.
Impactos Sociais e Sustentabilidade no Setor
Além do transporte, o setor metroferroviário gerou R$ 44,6 bilhões em benefícios econômicos e sociais para o Brasil em 2025. Estes resultados incluem uma economia de 1,6 bilhão de horas em deslocamentos e a redução de 900 milhões de litros de combustíveis, evitando a emissão de 1,9 milhão de toneladas de poluentes. O balanço reforça a ideia de que um sistema que gera tamanha riqueza social não pode depender unicamente da tarifa paga pelos usuários, indicando uma necessidade urgente de subsídios estruturados e novos instrumentos financeiros para garantir sua sustentabilidade.
