sábado 17 de janeiro

Setor Agropecuário Impulsiona o Comércio Exterior Brasileiro

O agronegócio brasileiro fechou o ano de 2025 com exportações históricas, atingindo US$ 169,2 bilhões, de acordo com dados da Consultoria Agro do Itaú BBA. Esse valor ultrapassou o recorde anterior, que havia sido registrado em 2023. As importações também chegaram a um nível sem precedentes, totalizando US$ 20,1 bilhões, o que resultou em um superávit impressionante de US$ 149,1 bilhões — uma alta de 2,8% em comparação a 2024.

A importância do agronegócio para a economia do Brasil se consolidou ainda mais, representando 49% de todas as exportações do país em 2025, reafirmando seu papel como um dos pilares da balança comercial nacional.

Soja e Carne Bovina: Os Destaques das Exportações

A soja foi a grande protagonista das exportações, com 108 milhões de toneladas embarcadas, representando um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Apesar da queda de 7% nos preços médios, o complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo, gerou impressionantes US$ 52,9 bilhões em receita.

As exportações de carne bovina também se destacaram, com 3,1 milhões de toneladas enviadas ao exterior. Esse resultado, que corresponde a um aumento de 21%, teve um preço médio de US$ 5.374 por tonelada, resultando em um faturamento de US$ 16,6 bilhões. Outras proteínas animais, como a carne suína, apresentaram um crescimento de 12% em volume, enquanto a carne de frango in natura enfrentou uma queda de 6%, reflexo da gripe aviária que afetou o setor durante o ano.

Ganhos com Café e Celulose em Meio a Quedas de Volume

O café verde, mesmo com uma retração de 18% no volume exportado, conseguiu alcançar um recorde histórico de receita, totalizando US$ 14,9 bilhões. Esse resultado foi impulsionado por uma valorização de 60% no preço médio do produto, que alcançou US$ 6.550 por tonelada. A celulose também se destacou, registrando um aumento de 13% no volume exportado, com vendas de US$ 10,25 bilhões, mesmo diante de uma queda nos preços médios internacionais.

Desafios para o Complexo Sucroenergético

Por outro lado, o complexo sucroenergético enfrentou dificuldades devido à queda nos preços globais e ao aumento da oferta internacional, o que resultou em uma diminuição dos embarques brasileiros. O açúcar bruto (VHP) teve uma queda de 12% em volume e 14% em preço, gerando uma receita de US$ 12,08 bilhões. O açúcar refinado seguiu a mesma tendência, com uma redução de 10% em volume e 16% em preço, totalizando US$ 2,03 bilhões em receitas. O etanol também sentiu o impacto, com uma redução de 15% nas exportações, mas com uma leve alta de 4% nos preços, resultando em US$ 934 milhões em receitas.

Crescimento Constante para Milho e Algodão

As exportações de milho alcançaram 41 milhões de toneladas, representando um crescimento de 3% e gerando uma receita de US$ 8,47 bilhões. O algodão em pluma teve um desempenho notável, registrando um recorde histórico de 3 milhões de toneladas exportadas, um aumento de 9%, embora tenha enfrentado uma queda de 12% nos preços médios, totalizando US$ 4,93 bilhões.

China: O Principal Destino das Exportações Brasileiras

A China continuou a ser o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com aquisições que somaram US$ 55,3 bilhões, um aumento de 11,3% em relação ao ano anterior. Entre os principais produtos exportados estão a soja, a carne bovina e a celulose. A União Europeia manteve sua posição como segundo maior parceiro comercial, importando US$ 25,2 bilhões, o que representa um crescimento de 8,6%, especialmente em café, soja e celulose. Por outro lado, os Estados Unidos registraram uma queda de 5,6%, com compras totalizando US$ 11,4 bilhões, devido à manutenção de tarifas sobre parte dos produtos brasileiros.

Perspectivas para 2026

Segundo a análise do Itaú BBA, o agronegócio brasileiro encerra 2025 com um desempenho robusto, mas enfrenta o desafio de diversificar mercados e agregar valor às suas exportações. As perspectivas para 2026 indicam um ajuste nos preços internacionais e uma competição crescente entre os setores de açúcar e etanol, em meio ao aumento da produção de milho e à demanda global por biocombustíveis.

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