quarta-feira 29 de julho

Trajetória do empreendedor Roque Dalcin e a origem da Perfetto

Aos 17 anos, Roque Dalcin deixou a Serra Gaúcha para estudar química e laticínios em Juiz de Fora, Minas Gerais. Com uma carreira consolidada como executivo em grandes empresas do setor alimentar, transitando por áreas industriais, comerciais e operacionais, Dalcin decidiu em 2003 investir suas economias na Perfetto, uma fabricante de sorvetes localizada em Patrocínio Paulista, perto de Franca, no interior de São Paulo.

Mais de 20 anos depois, a Perfetto integra o Grupo Alleanza, holding criada por Dalcin para reunir seis marcas e consolidar atividades que vão desde a fabricação de sorvetes e chocolates até a logística refrigerada. Em 2025, o grupo faturou R$ 382 milhões, com previsão de crescimento de 12% para o ano seguinte, mirando R$ 500 milhões em 2027.

Expansão industrial e estrutura para crescimento

Com capacidade para produzir 15 milhões de litros de sorvetes e sobremesas congeladas anualmente, o grupo atende cerca de 14 mil pontos de venda e emprega 540 colaboradores. Dalcin destaca que a base para sustentar o crescimento já está consolidada, com uma estrutura industrial preparada para superar a marca dos R$ 500 milhões, podendo até atingir R$ 1,5 bilhão em faturamento no longo prazo.

Antes de empreender, Dalcin acumulou 25 anos de experiência em produção, vendas, marketing e operações em empresas como La Santé, Betânia e Parmalat. Essa bagagem foi fundamental para profissionalizar a Perfetto desde o início, dando ao empresário uma visão sistêmica do negócio e facilitando a tomada de decisões estratégicas.

Consolidação do mercado e estratégia do Grupo Alleanza

A holding reúne as marcas Perfetto Sorvetes, Creme Mel, Compagnia di Gelato Piu Latte, La Mus, Perfetteria e Loggis Tecnologia Refrigerada. Juntas, elas cobrem toda a cadeia produtiva, desde o desenvolvimento até a distribuição e atendimento ao varejo e food service.

Embora a Perfetto represente cerca de 94% da receita consolidada, Dalcin projeta crescimento das demais marcas com novas parcerias e aquisições. A estratégia acompanha a tendência de consolidação do mercado brasileiro de sorvetes, historicamente fragmentado entre empresas regionais, que tende a se concentrar em menos fabricantes de maior porte.

Investimentos recentes e inovação na logística

Entre 2023 e 2025, o Grupo Alleanza investiu R$ 51 milhões na ampliação da fábrica, construção de câmaras frias, instalação de linhas para cones e novos produtos, além da abertura de centros de distribuição em Uberlândia (MG) e Penápolis (SP). Também foram adquiridos freezers, caminhões e baús refrigerados com tecnologia Fast Freezing, que reduz o tempo de recuperação da temperatura ideal de 14 para 3 horas, garantindo qualidade e economia de energia.

A operação logística conta com 13 filiais e 117 caminhões próprios, e a Loggis, criada em 2019, administra a logística refrigerada, mantendo controle sobre os principais processos, mesmo com parte terceirizada. Esta estrutura é crucial para responder rapidamente a variações climáticas que impactam a demanda, sobretudo em períodos de calor intenso.

Competição com grandes fabricantes e apostas para o futuro

O Grupo Alleanza atua exclusivamente no modelo B2B, fornecendo para supermercados, padarias, postos de combustíveis e lojas de conveniência. Apesar de enfrentar multinacionais com maior poder financeiro, Dalcin destaca que a agilidade para lançar produtos e responder ao mercado é diferencial competitivo.

A inovação permanece como pilar estratégico, com lançamentos que incluem sorvetes em potes transparentes, sorvetes de corte e embalagens multipack para consumo doméstico. O grupo também investe em segmentos de maior valor agregado, como gelatos premium, food service e marcas próprias para varejistas e franquias.

Perspectivas para alcançar R$ 500 milhões até 2027

Para atingir a meta de faturamento em 2027, o Grupo Alleanza aposta na ampliação da presença nos pontos de venda, melhor aproveitamento da capacidade industrial e aceleração da distribuição. A expansão será focada nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, onde o grupo já atua, com atenção à sazonalidade do mercado, que tem menor movimento em maio e junho e alta demanda a partir de setembro.

Dalcin ressalta que o período de baixa é utilizado para manutenção, férias e organização da operação, preparando o grupo para o crescimento rápido da temporada quente. A combinação de produção eficiente, logística integrada e capacidade de inovação tem sido fundamental para transformar a pequena fabricante do interior paulista em uma empresa com quase R$ 400 milhões em receita.

Exit mobile version