Motivos do Rompimento Político
Na última sexta-feira (09), o deputado estadual Fabrizio Ferraz (SD) expôs, em uma entrevista ao comunicador Francys Maia, na Rádio Vila Bela, os motivos que o levaram a romper politicamente com a governadora Raquel Lira (SD) e a manifestar seu apoio à pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo de Pernambuco. O relato, que ocorreu em meio a um clima tenso no Sertão de Itaparica, trouxe à tona questões que vão além das divergências comuns entre políticos.
Ferraz enfatizou que sua decisão não foi abrupta, mas o resultado de um acúmulo de desgastes e uma sensação de falta de espaço na base governista. O parlamentar também se referiu a episódios que classificou como uma verdadeira perseguição política, envolvendo diretamente o secretário estadual de Turismo, Kaio Maniçoba, que é não só deputado estadual licenciado, mas também natural de Floresta, cidade natal de Ferraz e filho da prefeita local, Rorró Maniçoba.
“A falta de atenção que eu vinha tendo por parte do governo do Estado não foi de hoje. Não foi uma decisão de cabeça quente”, assegurou o deputado.
Interferência nas Eleições Municipais
Dentre os pontos mais críticos levantados por Fabrizio Ferraz está a alegação de quebra de um acordo político por parte do Palácio do Campo das Princesas, especificamente durante as eleições municipais em Floresta. De acordo com Ferraz, havia um entendimento claro de que o governo estadual não interferiria nas disputas locais, uma vez que ambos os grupos políticos pertenciam à base da governadora.
Contudo, segundo ele, a situação mudou drasticamente quando, a apenas 15 dias do pleito, a governadora decidiu enviar recursos do Estado para Floresta, investindo em obras de infraestrutura e perfuração de poços. “A governadora tomou partido político”, afirmou, evidenciando sua insatisfação com a ação.
Pressão e Desistência de Artistas
Outro episódio significativo mencionado por Ferraz envolve o secretário de Turismo, Kaio Maniçoba. O deputado relatou que uma banda que se apresentaria em um evento que ele patrocina durante a Missa do Vaqueiro desistiu do show devido a supostas pressões vindas do governo estadual. “Eles me ligaram dizendo que o secretário de Turismo tinha ameaçado: se tocassem para mim aqui em Floresta, não tocariam mais para o governo do Estado”, revelou Ferraz, indicando o clima hostil que sentiu.
Lealdade ao Governo e Novos Rumos
Fabrizio Ferraz ressaltou que, apesar de sua recente mudança de posição, manteve uma lealdade ao governo de Raquel Lira durante praticamente todo o seu mandato. Ele admitiu ter votado contra o Executivo apenas em duas oportunidades: em relação ao reajuste salarial dos professores e ao projeto que propunha o fim das faixas salariais da Polícia Militar. “Eu não voto contra funcionário público. Sou servidor público, filho de servidores públicos e sei da importância dessas categorias”, declarou, reforçando sua identidade com as causas trabalhistas.
Nova Parceria com João Campos
Sobre sua nova aliança, Ferraz comentou que, enquanto se sentia desprestigiado pela administração estadual, começou a receber convites e propostas do prefeito do Recife, João Campos. “Eu era da base do governo, mas estava sendo tratado como adversário. Já João Campos me procurou várias vezes, me valorizou e me convidou para fazer parte do projeto dele para Pernambuco”, contou.
Por fim, o deputado enfatizou que somente anunciou seu apoio a Campos após cumprir todos os compromissos legislativos com o governo estadual até o fim do ano, demonstrando uma postura de responsabilidade política.
