terça-feira 3 de março

Recursos Recordes para o Agronegócio

No último ano, o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) alocou impressionantes R$ 3,240 bilhões em Mato Grosso do Sul, um valor histórico que destaca a crescente demanda do setor rural. Deste montante, 75% foram direcionados ao FCO Rural, superando significativamente a média histórica, que costumava ser de 60% para o agronegócio e 40% para a linha Empresarial.

Inicialmente, a Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste) havia previsto um repasse de R$ 2,7 bilhões ao Estado, mas a elevada demanda levou a sucessivos aumentos, culminando nos atuais R$ 3,2 bilhões. Rogério Beretta, secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, enfatizou que esse desempenho reafirma a relevância do agronegócio na economia de Mato Grosso do Sul.

Fatores que Influenciam o Crédito

Segundo Beretta, a diminuição do interesse do setor empresarial urbano por crédito se deve a dois fatores principais. Primeiro, a alta da Selic elevou os custos das taxas de juros. Em segundo lugar, as incertezas sobre a economia do país também têm influenciado as decisões de investimento. “Essas circunstâncias fazem com que o foco dos financiamentos permaneça voltado ao agronegócio”, comentou o secretário.

Os dados mostram que a maior parte dos recursos do FCO Rural foi direcionada a pequenos e médios produtores, que somaram 72% do total liberado nessa linha de crédito. Os outros 28% foram para médios e grandes produtores. Beretta ressalta a importância de manter o foco em pequenos empreendedores: “A nossa meta é destinar pelo menos 50% dos recursos a projetos de mini e pequenos empresários, um compromisso que temos cumprido anualmente”.

Investimentos em Desenvolvimento Sustentável

Entre as principais aplicações dos financiamentos, destacam-se a correção de solo (17,15%) e a reforma ou recuperação de pastagens (13,68%). Essas ações alinham-se à meta do governo de transformar Mato Grosso do Sul em um Estado Carbono Neutro até 2030. “Combater a degradação do solo é vital para o sequestro e retenção de CO₂”, afirmou Beretta.

Outros focos de investimento incluem a aquisição de matrizes bovinas de corte (12,5%), sistemas de irrigação (10,59%) e a compra de máquinas e implementos agrícolas (9,65%). A fruticultura também tem recebido atenção, com 8,25% dos recursos, além da construção de armazéns agrícolas (7%), áreas que o governo considera estratégicas para o desenvolvimento do setor.

Fruticultura em Alta

O Estado tem se esforçado para atrair investimentos em citricultura. O governador Eduardo Riedel acredita que Mato Grosso do Sul pode se tornar um polo de produção de laranja e suco de laranja, especialmente dadas as dificuldades enfrentadas por São Paulo. Beretta reforça que o volume investido em fruticultura é um indicativo desse potencial.

No que diz respeito à distribuição dos recursos, o FCO Rural foi abrangente, alcançando todos os municípios de Mato Grosso do Sul em 2025. Os maiores percentuais de investimento foram verificados em Bataguassu (8,58%), Dourados (6,78%), Paranaíba (6,64%), Sidrolândia (6,27%) e Paraíso das Águas (6,18%). Para Beretta, esses números evidenciam o caráter descentralizado do fundo, promovendo desenvolvimento e geração de renda em pequenas e médias cidades.

Agraer: Um Papel Fundamental

A Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) desempenhou um papel crucial na elaboração de projetos que possibilitaram aos pequenos produtores acessarem os financiamentos. Isso demonstra o comprometimento do governo em apoiar o agronegócio local.

Por outro lado, o FCO Empresarial também priorizou mini e pequenos empresários, que ficaram com 52% dos recursos, enquanto médios e grandes empresas absorveram 10,6%. A distribuição foi mais concentrada, com Campo Grande recebendo 40% do total e Dourados outros 13%.

Expectativas para 2026

Para 2026, a Sudeco já anunciou um orçamento de R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul, com divisão equilibrada entre FCO Rural e FCO Empresarial. Este valor representa um crescimento de 14% em relação ao montante inicial de 2025. “Fomos o único Estado da região que necessitou de novos aportes, pois os recursos disponíveis não foram suficientes para atender toda a demanda”, concluiu Beretta.

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