sexta-feira 6 de fevereiro

A política como um espetáculo

A atriz Fernanda Torres traçou um paralelo entre o clima político no Brasil e o ‘Telecatch’, uma forma de luta livre dramatizada que fez sucesso na televisão brasileira entre as décadas de 1960 e 1980. Em sua visão, a política nacional parece mais voltada para o espetáculo do que para um debate sério e construtivo.

Em uma coluna publicada na Folha em 2019, ela destacou que a política do país assemelhava-se menos às obras de Shakespeare e mais a uma barulhenta rinha de interesses, onde a seriedade do debate parece ter sido deixada de lado. A atriz enfatizou a importância de visões moderadas em meio ao tumulto político, apontando o deputado Felipe Rigoni como um exemplo raro de ‘clareza e sensatez’ no Congresso.

Moderação em tempos turbulentos

No contexto da sua análise, Torres mencionou o movimento Acredito e a atuação da deputada Tabata Amaral. Ela se lembrou do momento em que Tabata ‘desferiu o golpe fatal’ ao exigir ‘planilha, projeto, coerência e, por fim, a renúncia’ do então ministro da Educação, Vélez Rodríguez. Essa cobrança, segundo a atriz, representa a busca por liderança responsável e clara no atual cenário político.

A ideia de que a política deveria ser tratada como um espetáculo, mas de forma consciente e responsável, permeia a reflexão de Torres. O Acredito, que conta com a participação de Rigoni e Tabata, busca formar uma nova geração de políticos com foco em soluções práticas e efetivas, distantes da polarização que permeia o Brasil.

A luta pela modernização

Rigoni, que é formado em engenharia de produção e possui mestrado em políticas públicas, é um dos rostos dessa nova política. Ele se declara liberal na economia, mas progressista nos costumes, posicionamentos que buscam equilibrar a diversidade de opiniões no atual cenário político. Com um olhar crítico sobre a polarização, Rigoni acredita que esse ambiente dificulta a aprovação de pautas que poderiam trazer benefícios reais à população.

Durante a sua análise, a atriz também abordou a desavença entre o ministro Paulo Guedes e outros parlamentares. Segundo Torres, a soberania de Guedes e sua falta de empatia são preocupantes, especialmente em um país que ainda enfrenta sérios problemas sociais. Contudo, ela mencionou que, em um debate em que a retórica se sobrepõe à prática, é difícil encontrar apoio para reformas necessárias.

Os desafios da oposição

Fernanda Torres fez um paralelo entre a atuação do governo e a de seus opositores, destacando que a oposição precisa abandonar a dramatização exagerada e se espelhar em práticas políticas mais eficientes. Ela citou a necessidade de um debate mais construtivo, que vá além das vaias e aplausos vazios, e que busque soluções para questões relevantes, como a reforma da Previdência.

Além disso, a atriz criticou a falta de compromisso de determinados personagens políticos que, segundo ela, estavam condenados ao fracasso. Ao mesmo tempo, ela ressaltou que algumas figuras, como o ‘Posto Ipiranga’, ainda se destacam pela diferença em relação ao restante do quadro político.

Por fim, Fernanda conclui que, se a reforma da Previdência fosse uma peça, a ausência de contribuições significativas das empresas na capitalização dos trabalhadores poderia servir como um ponto central da discussão, mas num ambiente repleto de ruídos e dramatizações, o essencial muitas vezes se perde.

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