sexta-feira 1 de maio

Mesa Redonda Explora o Futuro da ciência e tecnologia no Brasil

A Associação dos Pós-Graduandos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) promoveu, na última terça-feira (28), uma mesa redonda intitulada “Desafios para a Formação de Recursos Humanos para a Ciência e Tecnologia”. O evento, que aconteceu na sede da Associação dos Docentes da UFPE, no Recife (PE), reuniu representantes do governo, da academia e de entidades estudantis para discutir os desafios e alternativas para a formação científica no país.

A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, ressaltou a importância da formação de recursos humanos para o desenvolvimento nacional. “A formação científica é a base da inovação, e sem continuidade, corremos o risco de perder talentos”, afirmou. Ela ainda destacou a escassez de profissionais qualificados em áreas essenciais, com ênfase especial no setor de tecnologia. “Atualmente, o Brasil forma cerca de 46 mil profissionais de tecnologia anualmente, enquanto a demanda chega a 70 mil, resultando em um déficit de aproximadamente 24 mil profissionais em uma área onde os salários costumam ser acima da média”, explicou.

Para enfrentar esses desafios, Luciana Santos mencionou as iniciativas do MCTI, que buscam aprimorar a formação científica desde os níveis mais básicos da educação. Um exemplo dessas iniciativas é o Programa Mais Ciência na Escola, que promove letramento digital e educação científica através da implementação de laboratórios práticos em escolas públicas. “Esse projeto permite que os alunos coloquem em prática suas ideias e inovações”, disse.

Além disso, a ministra citou programas voltados para o futuro do trabalho, como a Residência em TIC, que já formou mais de 60 mil profissionais nas áreas de tecnologias da informação e comunicação. Outro destaque foi o programa Hackers do Bem, que visa combater o déficit global de talentos em segurança cibernética. O Bolsa Futuro Digital, que prepara profissionais para o mercado de tecnologia, também foi mencionado como uma iniciativa importante.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, fez um comentário contundente sobre a relação entre ciência e soberania nacional. Ele afirmou: “Não há soberania nacional sem soberania científica, e isso só é possível com universidades públicas fortes, financiamento estável, valorização da pós-graduação stricto sensu e políticas de inclusão e permanência eficazes”. Gomes ressaltou que a pós-graduação é fundamental para a consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, sendo o local onde se formam os pesquisadores e intelectuais que enfrentarão os grandes desafios do Brasil.

O reitor também reconheceu o apoio do MCTI à UFPE, revelando que, por meio dos programas do ministério, foram injetados mais de R$ 100 milhões na instituição nos últimos anos. Essa colaboração é vista como essencial para o fortalecimento da formação científica e tecnológica.

Elvis Arruda, representante da Associação Nacional de Pós-Graduandos, destacou progressos obtidos na atual gestão do governo, como o reajuste das bolsas para pós-graduandos e a aprovação de direitos previdenciários. “Estamos avançando nos direitos dos pós-graduandos, mas é crucial que esse desenvolvimento seja justo e soberano, sempre relacionado à ciência e tecnologia”, afirmou Arruda.

Ele também enfatizou a necessidade de uma maior integração entre universidades e o setor produtivo, visando à absorção de mestres e doutores no mercado de trabalho. O evento se enquadra em uma agenda mais ampla de diálogo institucional sobre financiamento da ciência, redução de desigualdades e fortalecimento da formação científica, com uma atenção especial focada na realidade dos pós-graduandos brasileiros.

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