quinta-feira 25 de junho

O Futuro da Copa do Mundo Feminina no Brasil

Em 26 de junho de 2027, o Brasil será o palco da Copa do Mundo Feminina, evento que simboliza uma conquista histórica para o futebol feminino no país. Kin Saito, Diretora de Futebol Feminino da Federação Paulista de Futebol (FPF), destaca que sediar essa competição é um sonho que parecia distante, especialmente considerando a proibição do futebol feminino entre 1941 e 1979. Após a regulamentação em 1983, o caminho para o reconhecimento foi longo, mas agora o país está prestes a receber a principal disputa de seleções do futebol feminino mundial.

Pioneirismo da Federação Paulista de Futebol

A Federação Paulista de Futebol tem papel fundamental nesse processo de evolução. Foi a primeira entidade a criar um departamento dedicado ao futebol feminino, em 2016, e também responsável pela criação do primeiro campeonato de base da modalidade no Brasil, o Paulista Feminino Sub-17, em 2017. Além disso, o Paulistão Feminino foi a primeira competição feminina brasileira a implementar o VAR em todas as partidas e a se tornar sustentável, refletindo os investimentos e inovações do estado de São Paulo na área.

“O Estado de São Paulo é sinônimo de progresso para o futebol feminino”, afirma Kin, ressaltando o orgulho e a seriedade com que o cenário paulista tem contribuído para o desenvolvimento da modalidade.

Impacto da Copa do Mundo e a Necessidade de Continuidade

Receber a Copa do Mundo Feminina em 2027 é visto como um catalisador para acelerar o crescimento do futebol de mulheres no Brasil. Cris Gambaré, Coordenadora de Seleções Femininas, reforça a importância de mudar a percepção do público e dos patrocinadores, que muitas vezes enxergam o futebol feminino como despesa e não como uma fonte de receita. Ela destaca ainda a necessidade de manter o interesse e o investimento na modalidade mesmo após o torneio.

A décima edição da Copa do Mundo Feminina chega após um evento histórico em 2019, na França, que registrou público recorde e alto investimento econômico. Naquele ano, 1,2 milhão de torcedores assistiram aos jogos nos estádios, e cerca de € 300 milhões foram injetados no PIB francês, evidenciando o potencial do futebol feminino como negócio e cultura esportiva.

Marcos Históricos e Expectativas para 2027

O Brasil já viveu momentos marcantes no futebol feminino, como a final do Pan-Americano de 2007, realizada no Maracanã, que reuniu 72 mil espectadores para o confronto entre Brasil e Estados Unidos. Aline Pellegrino, Gerente de competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Diretora Executiva da Copa do Mundo FIFA 2027, lembra que essa partida foi decisiva para a visibilidade da modalidade no país e acredita que é possível repetir esse sucesso na próxima Copa.

“Temos a chance de levar esse público para todos os jogos da Copa e isso gera uma expectativa positiva para o futuro do futebol feminino no Brasil”, afirma Pellegrino.

O Legado Além da Competição

O desafio agora é garantir que a visibilidade conquistada durante a Copa do Mundo se traduza em um legado duradouro. Kin Saito destaca que a maior transformação será cultural, uma mudança de mentalidade que envolve federações, clubes e torcedores. Aline Pellegrino concorda e enfatiza a importância do envolvimento dos clubes, considerando a paixão brasileira pelo futebol.

Cris Gambaré complementa que o legado não se restringe à Seleção Brasileira, mas impacta diretamente clubes, estados e federações, promovendo maior visibilidade e investimento em toda a estrutura do futebol feminino.

Um Ano para a Maior Copa do Mundo Feminina da História

Com a contagem regressiva iniciada, o futebol feminino no Brasil e especialmente em São Paulo avança com passos firmes para receber a maior Copa do Mundo Feminina da história. A expectativa é que o evento de 2027 seja um marco não apenas para o esporte, mas para a cultura esportiva do país, consolidando o futebol feminino como parte essencial do cenário nacional.

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