quarta-feira 21 de janeiro

Cocriando Arte e Cuidando da Saúde Mental

O Galo Gigante da Ponte Duarte Coelho, um dos símbolos mais icônicos do Carnaval no Recife, traz para 2026 uma proposta inovadora: a arte como meio de promoção da saúde mental. Com a participação de cerca de 200 pessoas beneficiadas por políticas públicas, o projeto inicia suas atividades com oficinas de arteterapia sob a liderança do multiartista Leopoldo Nóbrega, começando nesta quarta-feira, 21 de janeiro.

A alegoria deste ano não é apenas uma obra de arte; ela incorpora um profundo compromisso com o cuidado voltado a indivíduos em situação de vulnerabilidade, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades relacionadas à saúde mental e ao uso de substâncias. A iniciativa ilustra a atuação integrada entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), enfatizando a importância da valorização da autonomia do indivíduo.

As oficinas de arteterapia, organizadas pela Traços-Estudos em Arteterapia, permitirão que os participantes confeccionem mosaicos de plástico, que serão utilizados no revestimento do traje luxuoso do Galo Gigante. Este trabalho não só promove a terapia por meio da criação artística, mas também reforça a prática de ressignificação de materiais descartados, alinhando-se a conceitos de sustentabilidade e economia circular.

Homenagens e Integração Comunitária

Além de ser uma plataforma criativa, a alegoria deste ano homenageia figuras importantes na história da saúde mental no Brasil, como a psiquiatra Nise da Silveira e o terapeuta ocupacional Gonzaga Leal. Essas personalidades são reconhecidas por suas contribuições na construção de práticas mais humanas e inclusivas no cuidado à saúde mental. A escultura do Galo é desenvolvida pelo Atelier Escola Arte Plenna, em colaboração com o Instituto Leopoldo Nóbrega, que conduziu um processo seletivo para capacitar produtores e artesãos de Pernambuco.

O projeto conta ainda com a participação ativa da Secretaria de Saúde do Recife e da Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome, fortalecendo assim um compromisso intersetorial com um modelo de cuidado sensível e humanizado. Esses esforços buscam enfatizar a saúde mental como um aspecto essencial no processo de construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

A Importância da Arte nos Centros de Convivência

No Recife, a Secretaria de Saúde tem reforçado essa abordagem com a criação de Centros de Convivência, integrados à Rede de Atenção Psicossocial. O primeiro desses centros foi nomeado em homenagem à arteterapeuta Fátima Caio, enquanto o segundo leva o nome do poeta Miró da Muribeca. Nesses espaços, as oficinas artísticas não apenas promovem a expressão criativa, mas também valorizam saberes populares, reconhecendo a cultura como um elemento essencial na construção da identidade e na melhoria da saúde mental.

Paralelamente, a Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome também reconhece a arte como um recurso estratégico para o cuidado da população em situação de rua. A atuação do Centro Integrado de Atenção à População em Situação de Rua (CINPOP) e dos Centros de Referência Especializados para Pessoas em Situação de Rua (Centros POP) busca enfrentar a fragmentação dos serviços e a invisibilidade social. O CINPOP, inaugurado em novembro de 2025, oferece uma estrutura que abrange serviços essenciais, promovendo o acolhimento e o fortalecimento da autonomia.

Programação das Oficinas de Arteterapia

As oficinas de arteterapia acontecerão em diversas localidades do Recife, proporcionando um espaço criativo e acolhedor para os participantes. As atividades no Centro de Convivência Recomeço Fátima Caio, por exemplo, estão agendadas para os dias 21 e 22 de janeiro, enquanto o Centro Traços em Arteterapia confirma datas que ainda serão definidas. No Convento de Santo Antônio, as oficinas ocorrerão no dia 23 de janeiro, com horários variados.

A programação completa pode ser conferida online, e a participação é uma oportunidade valiosa para que a comunidade se envolva na construção de uma obra que transcende a mera estética, servindo como um verdadeiro manifesto sobre a importância da saúde mental e da arte como formas de expressão e resiliência no cotidiano.

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