Denúncias de Calote em Agência de Viagens no Grande Recife
Um grupo de mais de 100 clientes denunciou uma agência de viagens sediada em Paulista, no Grande Recife, por supostos calotes e cancelamentos de viagens. A empresa, identificada como JE Roteiro, Viagens e Turismo, está sendo investigada pela Polícia Civil. Até o momento, a TV Globo não obteve resposta da agência, apesar das tentativas de contato.
As vítimas afirmam que, mesmo após realizarem os pagamentos de pacotes turísticos, a agência cancelava as viagens de última hora e não restituía os valores. Elayne Aleixo, promotora de eventos, compartilhou sua experiência frustrante: ela pagou R$ 1.200 para passar o réveillon com oito familiares em Porto de Galinhas, mas, um dia antes da viagem, recebeu a notícia de que não havia vagas de hospedagem. O responsável pela agência, José Eduardo Souto, comunicou o cancelamento, alegando falta de disponibilidade.
“Em setembro, quando fechamos o contrato, ele garantiu que já havia reservado a pousada. Inclusive, conversamos com a pousada e o cancelamento ocorreu em 30 de setembro. Até agora, não temos retorno sobre o reembolso. Minha família está triste e frustrada”, desabafou Elayne.
Ela ainda destacou que sua mãe sonhava em celebrar a festa na praia de Ipojuca: “A todo momento, minha mãe dizia: ‘em tal momento, estaremos na praia, vendo os fogos’. É realmente muito triste, considerando que meu padrasto, que ganha um salário-mínimo, utilizou suas economias para comprar uma passagem que nunca aconteceu. Transformou nosso sonho em pesadelo”.
Casos Semelhantes de Viagens Canceladas
Outra vítima, Neuza Braga, servidora pública, também enfrentou prejuízos ao planejar uma viagem a Salvador com 15 amigas. Neuza havia realizado passeios anteriores com a mesma agência sem problemas, mas quando decidiu investir em uma viagem mais longa, acabou sendo enganada. “Eu já havia feito algumas viagens de bate-e-volta e tudo tinha dado certo. Entretanto, ao planejar uma viagem mais longa, veio o golpe. Para essa viagem, paguei cerca de R$ 500, e a de Maceió, outras duas mensalidades”, relatou.
Rebeka Gomes Guaraná, secretária acadêmica, enfrentou uma situação complexa ao planejar o aniversário da filha no Rio Grande do Norte. Ela pagou R$ 760 por uma suíte de hotel, mas foi surpreendida dias antes da viagem com a informação de que teria que dividir o quarto com uma pessoa desconhecida. “Eu deixei claro que não aceitei um quarto compartilhado. Ele decidiu cancelar a reserva e prometeu devolver o dinheiro no mesmo dia, 20 de novembro, mas até hoje não obtive resposta”, contou Rebeka.
Desdobramentos Legais e Práticas Suspeitas
A advogada Karolyne Soriano, que representa as vítimas, destacou a estratégia da agência em mudar constantemente de CNPJ, o que dificulta a responsabilização legal. “Sempre que eles percebem que estão sendo investigados, mudam de endereço e número de conta. Esse tipo de manobra é comum e visa enganar as autoridades”, afirmou.
De acordo com Karolyne, a empresa já responde a mais de 30 processos judiciais. Mesmo com decisões favoráveis aos clientes, não há reembolsos, pois as contas da agência frequentemente aparecem sem saldo. “Todos os processos foram ganhos, mas não há bens para penhorar. O recurso deve ser feito na Justiça criminal, por meio do inquérito policial”, explicou.
As histórias de clientes insatisfeitos são um lembrete importante sobre a necessidade de cautela ao contratar serviços de turismo. As experiências relatadas revelam como a confiança pode ser rapidamente transformada em desilusão, solicitando uma investigação mais aprofundada sobre os padrões de operação das agências de viagens.
