sexta-feira 30 de janeiro

Estudantes de Medicina da UPE em Greve por Corte de Alimentação

Os alunos da Faculdade de Ciências Médicas do Recife, vinculada à Universidade de Pernambuco (UPE), decidiram interromper suas atividades acadêmicas em protesto contra a suspensão de refeições no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM). Essa unidade hospitalar era a única do complexo que oferecia almoço gratuito aos internos e a decisão foi anunciada pelo Diretório Acadêmico Josué de Castro em suas redes sociais, após uma Assembleia realizada na noite da última quarta-feira (28).

Arthur Godê, diretor-geral do Diretório Acadêmico, explicou que a greve foi uma decisão unânime entre os estudantes. A suspensão das refeições, comunicada na segunda-feira (26), gerou indignação nos alunos. “O CISAM divulgou uma nota informando que estava seguindo uma determinação da Secretaria de Controladoria Geral do Estado para não executar o orçamento. Curiosamente, essa nova execução afetaria diretamente a nossa alimentação, que custa cerca de R$ 4 mil por mês”, afirmou Godê, que está no quarto período do curso.

Impacto nas Rotinas dos Internos

Segundo informações fornecidas pelo Diretório Acadêmico, atualmente, aproximadamente 300 estudantes estão em internato nas três unidades que compõem o complexo hospitalar da UPE. Este conjunto inclui o CISAM, localizado na Encruzilhada, na Zona Norte do Recife; o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e o Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco – Prof. Luiz Tavares (PROCAPE), ambos situados em Santo Amaro, na região central da capital.

Godê expressou seu descontentamento com a situação, dizendo: “É um desrespeito por parte do Governo do Estado e da Secretaria, e não tivemos acesso a esse documento que alega existir, essa recomendação.” A unidade do CISAM era a única que ainda oferecia almoços gratuitos para 15 internos diariamente, e segundo o acadêmico, o custo mensal das refeições era de R$ 3.946,80.

“As greves estudantis refletem um desgaste histórico em relação à alimentação. Comer no campus é caro, especialmente em meio aos hospitais. Já tinha havido cortes de alimentação no Oswaldo Cruz e no PROCAPE, seguindo a mesma linha de ação. Agora, o CISAM cortou também, e isso foi a gota d’água para os alunos”, comentou Godê, ressaltando que a falta de refeições prejudicará a participação dos alunos nas atividades práticas.

Mobilização dos Estudantes

Os estudantes estão organizando uma mobilização para a próxima quarta-feira (28) com o objetivo de solicitar um diálogo com o Governo do Estado. Godê destacou que a demanda principal é que todas as unidades do complexo hospitalar da UPE voltem a oferecer almoços gratuitos para os estudantes em internato. “Queremos garantir que todos os alunos que atuam no complexo tenham acesso à alimentação adequada. Nossa reivindicação não se limita ao CISAM; queremos que todas as unidades ofereçam refeições, como era no passado. Essa situação torna a experiência extremamente elitista, uma vez que estamos em um estágio não remunerado e agora temos que pagar pelas refeições”, explicou.

Além disso, Godê mencionou a necessidade de um restaurante universitário, citando que a UPE é uma das poucas universidades estaduais de grande porte que não conta com esse serviço. “A criação de um restaurante universitário é uma das nossas principais pautas, pois afeta não apenas os alunos de medicina, mas também estudantes de diversas áreas, como direito, enfermagem e educação física”, concluiu.

Posicionamento da UPE e da SECTI

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a Universidade de Pernambuco (UPE) e com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) de Pernambuco, mas até o momento não obteve respostas das instituições. A reportagem segue aguardando um retorno oficial.

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