A Importância da Habitação na Reindustrialização
O debate sobre a reindustrialização no Brasil normalmente se concentra em questões como crédito, juros, infraestrutura e tecnologia. Embora esses fatores sejam cruciais, há um aspecto que não recebe a devida atenção: a moradia do trabalhador. Em diversos pólos industriais espalhados pelo país, as empresas enfrentam desafios significativos para contratar e reter mão de obra, em grande parte devido ao elevado custo e à escassez de habitação adequada nas proximidades dos locais de trabalho. Essa realidade resulta em alta rotatividade de funcionários, queda na produtividade e pressão crescente sobre salários e benefícios.
Por isso, é fundamental que o programa Minha Casa, Minha Vida avance. Mais do que uma simples política social, essa iniciativa pode e deve se transformar em uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico. A criação de uma linha específica dentro do programa voltada para os trabalhadores da indústria, com condições de financiamento diferenciadas, subsídios ampliados ou cotas exclusivas, não é um privilégio, mas sim uma política pública inteligente e necessária.
Benefícios da Habitação Adequada
Quando os trabalhadores conseguem residir perto de suas fábricas, todos saem ganhando. Eles conseguem reduzir gastos com aluguel e transporte, melhorando assim sua qualidade de vida e aumentando a renda disponível. As empresas se beneficiam com maior estabilidade, produtividade e custos reduzidos relacionados à rotatividade. Em nível municipal, a arrecadação melhora, o planejamento urbano se torna mais eficiente e a pressão sobre os serviços públicos diminui. Em última análise, o país avança rumo a uma indústria mais competitiva.
Em diversas regiões, empresários, prefeitos e sindicatos já se deram conta dessa realidade. Sob a perspectiva do ESG (Environmental, Social and Governance), especialmente no pilar Social, a moradia digna e próxima ao local de trabalho se revela um fator estratégico. A habitação adequada não só melhora a saúde física e mental do trabalhador, mas também aumenta a segurança, fortalece os laços comunitários e potencializa a realização pessoal e profissional.
Integração entre Habitação e Produção
Garantir, por meio de políticas públicas, o acesso à habitação digna vai além do bem-estar individual; essa medida favorece a criação de ambientes produtivos, comunidades mais coesas e relações de trabalho sustentáveis. O Brasil não pode continuar a tratar os temas de habitação e produção como agendas desconexas. Na verdade, países que levam a sério suas políticas industriais integram emprego, moradia e desenvolvimento regional.
O Novo Minha Casa, Minha Vida já se destacou pela inovação em seu formato e alcance, e recentemente tem direcionado esforços para a reforma e melhoria das residências. A previsão é de que até o final de 2026, R$ 30 bilhões serão investidos nessa modalidade. Desde sua criação, em 2009, o programa já forneceu mais de 8,4 milhões de unidades habitacionais em todo o Brasil. Agora é o momento de avançar ainda mais.
O Olhar Necessário para o Futuro
Para reconstruir uma classe média produtiva e fortalecer nossas cadeias industriais, é crucial que olhemos além do chão de fábrica. A atenção deve estar voltada para a residência do trabalhador. A nova política industrial brasileira deve começar ali: na porta da fábrica e na chave da casa própria, criando um ciclo virtuoso que beneficiará tanto os trabalhadores quanto a indústria nacional como um todo.
