terça-feira 28 de abril

Iniciativa para Enfrentamento da Crise Climática

Com o objetivo de fortalecer as discussões e as ações direcionadas ao enfrentamento dos impactos da crise climática sobre a saúde e a alimentação, o Ministério da Saúde deu início ao projeto intitulado “Mudanças Climáticas, Saúde e Alimentação – Rede de Comitês Populares Ambientais em Territórios das Periferias”. O investimento totaliza R$ 3,5 milhões e representa o começo da formação de uma rede de comitês populares ambientais.

O lançamento do projeto ocorreu nesta segunda-feira (24), na sede da Fiocruz, em Recife (PE), e marcou o início das atividades. A ação é voltada a representantes de movimentos sociais e da sociedade civil, abrangendo indivíduos com escolaridade desde o nível fundamental até o superior, que atuem ou residam nos territórios da Paraíba e de Pernambuco. Além disso, estudantes de graduação e pós-graduação, assim como docentes de instituições públicas de ensino e pesquisa, também estão convidados a participar.

Lívia Méllo, representante do Ministério da Saúde, enfatizou a importância de envolver a população na elaboração de soluções, especialmente considerando os atuais desafios ambientais. “Este projeto é crucial, pois muitas vezes agimos apenas após os desastres. A pandemia é um exemplo claro de crise provocada pela interferência humana no meio ambiente. Precisamos reconhecer e valorizar as experiências que as comunidades já desenvolveram nestes contextos e integrá-las como tecnologias sociais no Sistema Único de Saúde (SUS)”, declarou.

Criação de Comitês Populares e Fortalecimento de Ações Comunitárias

Além de combater os efeitos da crise climática na saúde pública e na alimentação, o projeto prevê a criação de 135 Comitês Populares Ambientais em áreas periféricas das regiões metropolitanas, sendo 90 em Pernambuco e 45 na Paraíba. A proposta visa fortalecer a relação entre os temas de clima, saúde e alimentação, fundamentando-se nos princípios da educação popular.

Os comitês irão promover a solidariedade comunitária e a vigilância popular em saúde, incentivando o diálogo entre saberes técnicos e populares. A iniciativa também almeja transformar em ações práticas as diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e da Política Nacional de educação popular em saúde (PNEPS-SUS).

Para estruturar essa rede, o projeto irá capacitar 27 estudantes de graduação e pós-graduação, que atuarão como monitores a serem responsáveis pela preparação de 270 Agentes Populares Ambientais. Esses monitores também possuem a função de apoiar o planejamento e o monitoramento das atividades nos territórios.

Capacitação e Papel dos Agentes Populares Ambientais

A formação dos Agentes Populares Ambientais terá uma carga horária de 168 horas. Cada comitê será composto por dois agentes e até dez participantes da comunidade. Cada monitor ficará encarregado de acompanhar cinco comitês, supervisionando diretamente dez agentes.

Os agentes desempenharão um papel crucial na criação e no fortalecimento da rede, atuando no planejamento e na coordenação das atividades nas comunidades. Além disso, eles desenvolverão estratégias de comunicação popular para aumentar a visibilidade das comunidades e combater a desinformação sobre os temas de clima e saúde.

Alice Albuquerque, agente popular ambiental e estudante de artes que reside no Centro de Recife, compartilhou sua visão sobre o projeto: “Esta é uma oportunidade de fortalecer o diálogo com os territórios. Vamos poder escutar quem realmente vive ali e conhece os problemas de perto, buscando soluções coletivas. Nosso papel não é apenas ensinar, mas construir conhecimento de forma popular e colaborativa”, ressaltou.

Os agentes serão escolhidos por meio de movimentos sociais e devem ter atuação nos territórios periféricos das regiões metropolitanas de Recife e João Pessoa. Entre os critérios exigidos estão: ter pelo menos 16 anos, disponibilidade de horário, experiência em educação popular, atuação em grupo e afinidade com os temas relacionados às mudanças climáticas. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz PE), em colaboração com a organização Mãos Solidárias e as universidades de Pernambuco (UPE) e Federal da Paraíba (UFPB).

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