Transformações no Ambiente Escolar
A lei que restringe o uso de celulares nas escolas completou um ano no mês passado e, no Colégio Presbiteriano Agnes, no Recife, a avaliação por parte das coordenações pedagógicas é positiva. Educadores e gestores da instituição perceberam que a medida trouxe mudanças significativas para a rotina dos alunos, refletindo em menos distrações, maior integração entre os estudantes e um interesse renovado por leitura e livros.
Graça Teti, coordenadora do Ensino Fundamental – Anos Finais, destaca que uma das mudanças mais notáveis foi a diminuição da dispersão e da ansiedade que o uso constante de telas provocava. Observou-se uma maior capacidade dos alunos em se concentrar nas atividades propostas, um aumento do contato visual e uma melhoria na escuta ativa, o que resultou em mais respeito às rotinas escolares. “As crianças estão demonstrando mais iniciativa nas interações presenciais e uma conexão emocional mais forte com as experiências em sala de aula”, afirma Teti.
Aulas mais Dinâmicas e Interativas
A dinâmica das aulas também passou por uma transformação. De acordo com a assessora pedagógica Fernanda Sales, a proibição dos celulares estimulou uma revisão das práticas pedagógicas, levando os professores a adotarem metodologias mais ativas. O uso de materiais concretos, debates mediados, atividades colaborativas e estratégias que favorecem a interação direta tomaram protagonismo nas aulas. “A estrutura das aulas se tornou mais dialógica e organizada, com uma rotina mais previsível e focada na aprendizagem, sem a concorrência de estímulos externos”, explica.
Os pais e responsáveis enfrentaram um período de adaptação. Embora inicialmente tenham surgido questionamentos sobre a comunicação e a adaptação dos alunos, o retorno ao longo do ano foi amplamente positivo. Relatos indicam melhorias na concentração, maior organização nos estudos e um uso mais consciente do celular fora da escola. “A comunidade escolar passou a ver a medida como uma ação educativa e formativa, e não apenas como uma restrição”, conclui.
Desafios e Adaptações dos Alunos
A psicóloga educacional Daniela Bacovis observa que, logo no início da proibição, alguns alunos mostraram resistência e tentativas de contornar as regras. Entretanto, a equipe escolar lidou com esses desafios por meio de diálogos e orientações. “A colaboração com as famílias foi crucial para ajudar os alunos a se adaptarem gradualmente à nova realidade”, comenta Bacovis.
Durante esse ano, a equipe pedagógica notou que os alunos redescobriram brincadeiras tradicionais, como jogos coletivos e de tabuleiro, além de momentos de oração e leituras em conjunto. Graça Teti ressalta que crianças que antes eram mais isoladas, utilizando o celular, agora interagem mais com os colegas, o que fortalece vínculos sociais e habilidades de convivência. “Essas mudanças também ajudaram a reduzir conflitos, criando um ambiente escolar mais saudáveis”, afirma.
Aumento do Interesse pela Leitura
Os jovens têm explorado mais os espaços de leitura e demonstrado um interesse crescente por histórias, dedicando mais tempo aos livros, tanto nas atividades dirigidas pelos professores quanto em seus momentos livres. De acordo com Teti, essa mudança impactou diretamente o desenvolvimento da linguagem, da imaginação e da capacidade de concentração dos alunos.
Para o coordenador do Ensino Médio, Ronaldo Queiroz, a maneira de estudar dos vestibulandos também se alterou, já que os celulares eram frequentemente utilizados para esse fim. “Não houve uma perda de estudo, mas sim uma transformação na abordagem. O que funcionou melhor foram os ‘momentos digitais’ supervisionados, como uso de laboratórios e tablets institucionais, além de atividades com pesquisa guiada”, explica Queiroz. Esse novo formato permitiu um estudo mais estruturado e intencional, com o uso da tecnologia voltado para objetivos didáticos claros, não apenas como um recurso dispersivo.
Próximos Passos em Educação Digital
Para equilibrar a disciplina tecnológica com o bem-estar emocional dos alunos, é essencial estabelecer regras claras sobre o uso da tecnologia, acompanhadas de ações educativas que promovam um uso consciente. Bacovis enfatiza a importância de incentivar atividades presenciais, esportivas e recreativas, além de criar espaços de escuta e apoio emocional para os estudantes.
Depois de um ano desde a implementação da proibição do uso de celulares, o Colégio Presbiteriano Agnes já está planejando novas estratégias para consolidar os resultados positivos. As iniciativas incluem ações formativas com professores sobre práticas pedagógicas sem mediação digital, orientações aos alunos sobre o uso responsável da tecnologia fora da escola e parcerias com as famílias para alinhar expectativas e práticas educativas.
Os Colégios Presbiterianos Mackenzie, com suas unidades em diversas cidades do Brasil, são reconhecidos pela qualidade de ensino e pela formação integral de seus alunos, sempre buscando promover um ambiente educativo que estimule a consciência crítica e o compromisso social.

