Protestos e Votação na Câmara Municipal
O pedido de impeachment do prefeito João Campos, protocolado em dezembro de 2025, ganhou destaque nas ruas e na Câmara Municipal. O motivo? A modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal. O requerimento foi apresentado e lido pelo presidente da Câmara, vereador Romerinho Jatobá (PSB), mas, na votação, os vereadores decidiram não dar seguimento ao processo.
Durante o evento, a aglomeração de manifestantes nas galerias do Plenário foi notável, com gritos de apoio ao impeachment e outros defendendo o governo de Campos. Esta sessão, ocorrida na primeira segunda-feira do ano, marcou a abertura dos trabalhos legislativos e, tradicionalmente, conta com a presença do prefeito. No entanto, João Campos estava em Brasília cumprindo compromissos e não participou da cerimônia.
A votação para o impeachment foi nominal, e, segundo a Procuradoria da Câmara, para que o pedido fosse aceito, era necessário obter a maioria simples entre os 37 vereadores. Porém, apenas nove votos foram favoráveis à continuidade do processo. Com isso, o requerimento foi arquivado.
Motivações por trás do Pedido de Impeachment
O cerne do pedido de impeachment se deu pela alteração no resultado do concurso público destinado ao cargo de procurador do município. O advogado Marko Venício dos Santos Batista foi o único aprovado nas vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD), mas sua nomeação foi anulada em favor de Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e do juiz Rildo Vieira da Silva, que atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Embora Lucas Vieira Silva tenha inicialmente feito a seleção sem optar pelas vagas afirmativas, ele se reinscreveu no concurso após ser diagnosticado com autismo, dois anos depois da inscrição. Três procuradoras concursadas se manifestaram contra esse pedido, no entanto, o procurador-geral do município, Pedro Pontes, acolheu a reinscrição, decisão que não agradou a sociedade e gerou críticas de entidades como a Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM) e a Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR).
Em resposta à pressão pública, João Campos finalmente nomeou Marko Venício, o candidato que ganhou a seleção. Contudo, esse movimento o transformou em alvo de um processo de impeachment.
Consequências do Processo de Impeachment
No pedido, o vereador Eduardo Moura (Novo) alegou que, ao alterar o resultado do concurso, o prefeito teria cometido crime de responsabilidade e atos de improbidade administrativa. Se o pedido tivesse sido aceito, as irregularidades seriam investigadas no âmbito legislativo e, enquanto isso, o prefeito poderia ser afastado de suas funções.
Adicionalmente, o pedido de impeachment também destaca a atuação do pai do candidato beneficiado, juiz Rildo Vieira da Silva, que após ser promovido em 2025, foi responsável por arquivar um processo ligado à Operação Barriga de Aluguel. Essa operação investiga um esquema de desvio de recursos públicos, que deveriam ser usados na recuperação e manutenção de prédios, com contratos que somam mais de R$ 100 milhões.
A situação continua a gerar repercussão na sociedade, levantando debates sobre ética e legalidade nas decisões administrativas. O que começa como um pedido de impeachment pode, de fato, se transformar em uma série de implicações para a administração de João Campos e uma reflexão sobre as práticas governamentais na cidade.
