terça-feira 7 de abril

Capacitação de Profissionais de Saúde

O Ministério da Saúde deu início à segunda fase de oficinas de formação para a inserção do Implanon, um implante contraceptivo subdérmico que utiliza etonogestrel, no Sistema Único de Saúde (SUS). A meta é qualificar mais de 11 mil profissionais, entre médicos e enfermeiros, ampliando a disponibilidade desse método na rede pública de saúde. A programação abrange 32 treinamentos, que serão realizados em todo o Brasil, priorizando municípios com menos de 50 mil habitantes. As cidades de Vitória (ES), João Pessoa (PB) e Recife (PE) já sediaram as primeiras oficinas.

Essas atividades, que combinam teoria e prática com o uso de simuladores anatômicos, são supervisionadas por facilitadores do Ministério da Saúde. A carga horária para enfermeiros foi aumentada para 12 horas, enquanto médicos terão uma carga de 6 horas, ambas focadas na prática segura e no cumprimento das normativas profissionais. Os encontros também proporcionam um espaço de diálogo com gestores estaduais e municipais, visando apoiar a implementação do método nos diversos territórios.

Aumentando a Disponibilidade do Implanon

Em 2025, o Ministério da Saúde distribuiu 500 mil unidades do Implanon para todos os estados, priorizando não apenas os municípios com mais de 50 mil habitantes, mas também aqueles que atendem a critérios de vulnerabilidade social. Para o ano de 2026, está prevista a entrega de mais 1,3 milhão de implantes subdérmicos, dos quais 290 mil já foram encaminhados. No total, a previsão é distribuir 1,8 milhão de unidades, um esforço significativo para fortalecer o planejamento reprodutivo no país. Na iniciativa privada, o custo do método pode chegar a até R$ 4 mil.

A realização dessas novas oficinas representa uma etapa fundamental na estratégia de implementação do Implanon no SUS. O objetivo é qualificar os profissionais para a inserção, retirada e manejo de possíveis intercorrências, além de reforçar a conduta nas consultas de saúde sexual e reprodutiva. Isso inclui uma abordagem abrangente que contempla direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrual, enfrentamento ao racismo e abordagem às violências na atenção primária à saúde, englobando todos os métodos contraceptivos oferecidos no SUS.

Resultados da Primeira Fase das Oficinas

A primeira fase das oficinas, que ocorreu entre outubro e dezembro de 2025, alcançou mais de 2,8 mil profissionais em 27 estados, com um total de 30 oficinas. Para Luciane da Silva d’Avila, enfermeira obstétrica e presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstétricas, a estratégia representa um avanço significativo na autonomia e no cuidado das mulheres dentro do SUS. “A inserção do Implanon por profissionais habilitados é fundamentada em evidências e respeita as escolhas informadas das usuárias”, enfatiza.

Ezequiel Martins, enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família em Brasília (DF), complementa que a formação vai além do aprendizado técnico. “A atividade trouxe discussões sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos, além de maior segurança para realizar o procedimento”, afirma. No total, aproximadamente 2,9 mil profissionais e gestores participaram das oficinas, abrangendo 682 municípios, onde cerca de 1,8 mil profissionais foram qualificados para inserir e retirar o Implanon.

Implante Subdérmico: Vantagens e Disponibilidade

O Implanon é um método eficaz e vantajoso para prevenir a gravidez não planejada, com duração de até três anos. Após esse período, o implante deve ser retirado, e, caso a mulher deseje, um novo pode ser inserido imediatamente pelo SUS. A fertilidade normalmente retorna rapidamente após a remoção do implante.

Esse método se junta a outros contraceptivos disponíveis gratuitamente no SUS, como preservativos internos e externos, DIU de cobre, anticoncepcionais orais, pílulas de emergência, laqueadura tubária bilateral e vasectomia, entre outros. O Ministério da Saúde destaca que apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

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