domingo 5 de julho

Incêndios florestais avançam em meio a temperaturas recordes na Europa

Durante o último fim de semana, centenas de bombeiros lutaram contra incêndios que consumiram mais de 17 mil hectares de florestas na França, Espanha e Portugal. O calor extremo, que atingiu o continente recentemente, contribuiu para a propagação rápida das chamas, enquanto a Europa ainda tenta se recuperar da onda de calor intensa que fez vítimas fatais no final de junho.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, ressaltou que a temporada de incêndios de verão começou com um mês de antecedência, refletindo a gravidade da situação. Na Espanha, um incêndio próximo à Costa Brava, região turística da Catalunha, destruiu 2.200 hectares. As equipes de combate ao fogo anunciaram ter “estabilizado” as chamas em Bisbal del Ampurdán, porém, manifestaram preocupação com o flanco direito do incêndio, devido às altas temperaturas e à presença de vegetação não queimada dentro da área afetada, o que pode gerar novos focos.

Medidas emergenciais e impactos na Catalunha e França

Guardas florestais indicam que cerca de 97% da área destruída está dentro da zona natural protegida de Las Gavarras, e suspeitam que o incêndio tenha sido causado por negligência. O presidente da Catalunha, Salvador Illa, confirmou a prisão de uma pessoa relacionada ao caso.

Na França, aproximadamente 600 bombeiros foram mobilizados para conter um incêndio que consumiu mais de mil hectares em Trevillach, nos arredores de Perpignan. Autoridades fecharam estradas e orientaram prefeitos a abrir abrigos de emergência para os moradores que tiveram que deixar suas residências. Além disso, mais 300 bombeiros atuaram contra um incêndio em área montanhosa no departamento de Drôme, no sudeste francês.

Portugal controla grande parte das chamas e recebe apoio internacional

Em Portugal, os bombeiros conseguiram controlar cerca de 80% do perímetro de um incêndio que consumiu ao menos 13 mil hectares de vegetação no norte do país em três dias, conforme informou a Defesa Civil. José Costa, oficial da Autoridade Nacional de Proteção Civil, destacou que o fogo percorreu 35 km e que ainda há alguns focos ativos, mas a maior parte está sob controle. O país recebeu reforços da Espanha e Itália, incluindo aviões-tanque, para auxiliar no combate às chamas que deixaram nove feridos, entre eles dois civis em estado grave.

Calor extremo e alertas em toda a Europa Ocidental

O calor intenso levou diversas regiões da França, Espanha e sul da França a intensificarem os alertas. Meteorologistas projetam que as temperaturas podem alcançar até 40°C durante a semana, prolongando os riscos. A Europa Ocidental já enfrentou duas ondas de calor em 2024, sendo a última a mais severa já registrada para o mês de junho, com temperaturas consideradas “virtualmente impossíveis” sem a influência das mudanças climáticas, segundo climatologistas da World Weather Attribution.

Uma análise da AFP revelou que dois terços da população europeia, cerca de 410 milhões de pessoas, experimentaram temperaturas acima de 35°C entre 15 e 30 de junho. Países como Alemanha, Polônia, Eslováquia, República Tcheca e Hungria bateram recordes históricos, enquanto Reino Unido, Suíça e França viveram o junho mais quente de suas histórias.

Consequências humanas e alertas para o futuro

Após a onda de calor, a França registrou um aumento de mais de 2 mil mortes em uma semana, comparado ao esperado. Espanha e Bélgica também apontaram mais de mil mortes adicionais cada. As autoridades europeias se mantêm preocupadas com o verão que ainda está em curso.

O coronel Eric Belgioino, do Corpo de Bombeiros francês, advertiu que as mudanças climáticas já estão afetando a região, e o pior pode estar por vir. Ele reforça o apelo para que moradores próximos aos Pirenéus adotem medidas preventivas rigorosas para evitar novos incêndios, diante da severidade dos eventos climáticos que marcam esta temporada.

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