Expectativa de Influência Chinesa em Alta
Um recente estudo revelou que a maioria dos entrevistados acredita que a China está à frente em setores essenciais, como tecnologias de energias renováveis e veículos elétricos, além de estar conquistando uma crescente influência geopolítica. Em diversas regiões analisadas, os participantes preveem um aumento da influência global da China na próxima década, com taxas de expectativa que variam entre 83% na África do Sul e 72% no Brasil, passando por 57% na Rússia, 54% nos Estados Unidos e 50% no Reino Unido.
Curiosamente, apenas na Ucrânia e na Coreia do Sul a maioria classifica a China como rival ou adversária. O European Council on Foreign Relations (ECFR) observa que, desde o ano passado, um número crescente de pessoas na África do Sul e no Brasil passa a ver o país asiático como um aliado. Na Índia, mesmo com as relações historicamente tensas entre os dois países, quase 50% dos entrevistados consideram a China um parceiro necessário.
Além disso, muitos países projetam um fortalecimento nas relações com a China nos próximos cinco anos, sendo que a maioria dos inquiridos na África do Sul e no Brasil compartilha dessa visão. O estudo também revelou uma queda significativa na confiança dos europeus em relação à liderança dos EUA, com muitos acreditando que a ordem ocidental está em declínio e que a União Europeia não possui força suficiente para competir com os EUA ou a China.
“A ascensão da China é vista como algo benéfico para os habitantes da maioria dos países não ocidentais. A vida sem um poder hegemônico é como muitos imaginam o futuro pós-americano”, afirmou a instituição responsável pela pesquisa.
Perspectivas Contrastantes sobre o Poder dos EUA
Os dados indicam que o crescimento da China não implica necessariamente na diminuição do poder dos EUA, já que muitos acreditam que Washington continuará a exercer influência global. Em países como Brasil, Índia, África do Sul e Turquia, a maioria dos entrevistados acredita que os EUA terão uma posição mais forte no cenário global na próxima década. Nos Estados Unidos, no entanto, apenas 43% compartilham dessa perspectiva, enquanto na Rússia esse percentual despenca para 20%.
As informações foram coletadas em novembro, antes da operação dos Estados Unidos que culminou na detenção de Nicolás Maduro e sua esposa, ocorrida no início de janeiro. “Mesmo antes da intervenção dramática de Trump na Venezuela, sua política agressiva de ‘América Primeiro’ já estava aproximando a população da China”, concluiu o relatório.
A pesquisa foi conduzida pelo projeto de investigação Europe in a Changing World, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sendo esta a quarta de uma série de estudos globais que buscam entender a dinâmica das relações internacionais.
