Inovações e Desafios no Setor Sucroenergético
No Recife, a manhã desta quinta-feira (19) foi marcada pela reunião de executivos, produtores, técnicos e especialistas do setor sucroenergético no Congresso Usinas de Alta Performance do Norte-Nordeste (UAPNE). O evento, promovido pela Pró-Usinas JornalCana, aconteceu na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e teve como destaque a presença de Eduardo de Queiroz Monteiro, presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco.
A principal proposta do encontro foi discutir, através de palestras e apresentações de casos de sucesso, os desafios e as tecnologias que estão moldando o futuro da bioenergia na região Nordeste, um local estratégico para a transição energética. Entre os temas abordados, destaca-se a mecanização da colheita da cana-de-açúcar, um assunto que gera discussões acaloradas.
Uma das palestras mais aguardadas foi “Mecanização da Colheita da Cana Inteira – A Hora da Verdade”, conduzida por Heleno de Barros, diretor agrícola do Grupo EQM. Ele enfatizou que esse modelo de colheita é crucial para minimizar impactos ambientais, como as queimadas, além de atender à atual demanda por mão de obra. No entanto, essa transição apresenta desafios significativos, como a necessidade de adaptação e altos investimentos, além de impactos sociais que podem afetar a geração de empregos.
“Estamos enfrentando uma crise na oferta de mão de obra. Por isso, a nossa contribuição é essencial para superar os desafios do corte de cana nas áreas de encosta de Pernambuco, onde a falta de máquinas adequadas limita o crescimento do setor”, afirmou Barros.
Inovações Tecnológicas em Colheita
Um exemplo prático da busca por inovação é a Usina Cucaú, que está testando uma colhedora mecanizada chinesa 4GD1, fabricada pela FM World Agriculture. Este equipamento é projetado para operar com segurança em terrenos inclinados entre 20º a 25º, o que representa uma inclinação de 36% a 46%, bem acima das colhedoras convencionais que suportam apenas 11% de inclinação. Essa experiência é fundamental, dado que uma parte significativa da Zona da Mata de Pernambuco possui áreas com declives acentuados, complicando a mecanização da colheita.
Segundo dados da NovaBio, a moagem de cana na safra 2025/26 deve alcançar aproximadamente 59 milhões de toneladas. Em meio a essa transformação, o setor passa por uma reconfiguração produtiva, onde a produção de açúcar caiu 10,8%, enquanto a produção de etanol cresceu 12,7%, impulsionada principalmente pelo aumento do etanol anidro.
A programação do congresso foi aberta com uma palestra de Hugo Cavalcanti, superintendente agrícola do Grupo JB, que falou sobre “Excelência Agrícola e os Desafios da Mecanização da Colheita”. Cavalcanti destacou que o setor está em um caminho positivo para superar os obstáculos apresentados, que incluem a adequação de lotes, o plantio mecanizado e a sistematização de terrenos.
“Em tempos de crise, é comum que se façam cortes que parecem proporcionar economias, mas, na verdade, o que precisamos é investir para mudar a situação. Esse encontro vai gerar ideias promissoras. O Nordeste é pioneiro e tem uma história rica na produção de cana, que continuará a evoluir”, comentou o executivo.
Estudos de Caso e Palestras Especializadas
Os participantes também puderam conhecer cases interessantes, como o da Usina Santo Antônio, que apresentou inovações na otimização logística com o uso de inteligência artificial, e a Agrovale, que discutiu a redução de amido na produção de etanol através de fermentação enzimática. Outras usinas, como a Coruripe e a São José do Pinheiro, também compartilharam suas experiências em inovação e gestão inteligente.
Na sequência, uma série de painéis discutiu temas variados, como “Da Fermentação às Biorrefinarias”, que abordou o papel da biotecnologia na valorização das usinas, e “Indústria Sucroalcooleira 4.0”, que apresentou as novas tecnologias de eficiência e qualidade, incluindo técnicas de NIR. O impacto da inteligência artificial na predição de falhas críticas também foi um tópico relevante, apresentado por Victor Hugo Silva, da Tebe Sensores.
O evento teve ainda palestras sobre gestão operacional e eficiência energética, com especialistas discutindo a nova geração de antincrustantes para o setor sucroenergético. A programação da tarde promete trazer ainda mais insights com painéis que discutirão a projeção do futuro e os desafios enfrentados pelo setor bioenergético nordestino.

