Estudo Focado na População Idosa
O Instituto Butantan iniciou o recrutamento de voluntários para testar uma vacina tetravalente contra a dengue, agora voltada para a população acima de 60 anos. Atualmente, a vacina é destinada a pessoas entre 12 e 59 anos. O diretor do Butantan, Esper Kallás, enfatizou a necessidade de proteger os idosos, que são os mais afetados pela doença. “Estamos iniciando já os estudos para avaliar a vacina contra a dengue para esta faixa etária”, afirmou.
O Butantan também está à procura de 230 adultos de 40 a 59 anos para compor um grupo controle. Os testes clínicos serão realizados ao longo de um ano em quatro centros de pesquisa: Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e um em Curitiba, no Paraná. A expectativa é reunir 997 participantes, sendo 767 idosos, que serão sorteados para receber a vacina ou o placebo, e 230 adultos que receberão a vacina sem sorteio.
Avaliação da Segurança e Imunogenicidade
Em vez de focar na eficácia da vacina, que mede a redução de casos de dengue, o estudo se concentrará na segurança e na comparação da resposta imunológica em idosos em relação aos adultos já incluídos em pesquisas anteriores do Butantan. Os participantes saudáveis ou com comorbidades controladas farão parte desse importante estudo.
O recrutamento terá início no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS) e se expandirá para outros centros, incluindo o Hospital Moinhos de Vento e o Núcleo de Pesquisa Clínica do Rio Grande do Sul, ambos em Porto Alegre; o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh) e o Serviço de Infectologia em Curitiba.
Importância da Vacinação para Idosos
A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destacou a relevância deste estudo. “A faixa etária de maiores de 60 anos é a mais impactada pela morbidade da dengue, por isso é fundamental garantir que essas pessoas tenham a oportunidade de se proteger através da vacinação”. A vacina Butantan-DV recebeu aprovação da Anvisa em novembro de 2025 e é a primeira do mundo em dose única contra a dengue.
A vacina já foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), com o Ministério da Saúde adquirindo 1,3 milhão de doses, destinadas inicialmente a agentes de saúde e pessoas com 59 anos, com uma expansão planejada para outras faixas etárias, até atingir o público de 15 anos.
Facilidade para Participação dos Voluntários
Os participantes do estudo precisarão comparecer a apenas quatro visitas ao centro de pesquisa, sendo a primeira para aplicação da vacina e os retornos programados para 22 dias depois, 42 dias depois e um ano após a vacinação para coleta de sangue. Apenas 56 idosos terão que realizar mais visitas para exames específicos. Érique Miranda, gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan, explicou que essa abordagem visa facilitar a participação da população.
Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram finalizados em junho de 2024, com a divulgação de dados de segurança e eficácia na revista New England Journal of Medicine, relatando 79,6% de eficácia geral na prevenção de casos de dengue sintomática. Dados de um acompanhamento de cinco anos indicam eficácia de 74,7% e 91,6% contra casos graves da doença em pessoas entre 12 e 59 anos.
Metodologia do Estudo e Considerações Finais
Érique Miranda também mencionou que a seleção de centros em áreas com baixa prevalência de dengue, como Rio Grande do Sul e Paraná, visa garantir a qualidade dos dados obtidos, evitando possíveis influências em resultados. Ele destacou a importância de testar a segurança antes de avançar para uma aplicação mais ampla da vacina em idosos, que são mais vulneráveis a complicações da doença.
Embora todas as idades sejam suscetíveis à dengue, a população mais velha e aqueles com condições crônicas enfrentam riscos elevados. A vacina, ao ser de vírus atenuado, promete benefícios significativos, não apenas para os imunizados, mas também para o Sistema Único de Saúde (SUS), que poderá economizar em custos com hospitalizações e tratamentos relacionados à dengue. O gestor finalizou ressaltando o potencial da vacina e a expectativa de que, em breve, ela se torne uma prática comum, assim como a vacina contra a febre amarela.
