sábado 17 de janeiro

Inovação em Saúde com Inteligência Artificial

A inteligência artificial se revela uma ferramenta valiosa na área da saúde, como demonstrado em diversas inovações recentes. Um exemplo notável vem de Recife, a vibrante capital de Pernambuco, onde um projeto ambicioso está utilizando essa tecnologia para identificar pacientes com fibrilação atrial, uma arritmia cardíaca que pode levar a complicações sérias, como o acidente vascular cerebral (AVC).

Fibrilação atrial, embora possa não apresentar sintomas, é responsável por cerca de 20% dos AVCs isquêmicos, de acordo com especialistas. A cardiologista Tieta Albanez, que lidera o projeto em Recife, explica que essa condição faz com que o coração bombeie sangue de forma menos eficiente, o que pode resultar na formação de coágulos. Esses trombos, muitas vezes silenciosos, podem se deslocar e obstruir vasos sanguíneos no cérebro, levando a sérias consequências.

Entendendo a Fibrilação Atrial e Seus Riscos

Imagine uma situação em que o seu coração, de repente, começa a funcionar de forma irregular. Isso é o que acontece na fibrilação atrial. Segundo Tieta, “o paciente não sente nada, mas o coração está batendo de forma irregular”. Essa irregularidade é o que a tecnologia busca identificar rapidamente.

O uso da inteligência artificial entra em cena nesse contexto ao analisar eletrocardiogramas (ECGs) de forma ágil e precisa. A plataforma Kardia, desenvolvida pela empresa Neomed, utiliza nove algoritmos clínicos para examinar cada exame em cerca de sete segundos, gerando um laudo preliminar que o médico pode avaliar. Essa abordagem, segundo estimativas do projeto, pode reduzir os casos não diagnosticados de fibrilação atrial, que afetam uma parcela significativa da população.

Resultados Promissores do Projeto em Recife

Entre outubro de 2024 e abril de 2025, quase 4 mil eletrocardiogramas foram analisados em hospitais privados de Recife, resultando na identificação de 48 casos de fibrilação atrial. “Conseguimos aumentar significativamente o diagnóstico dessa arritmia, que muitas vezes passava despercebida”, afirma Tieta. A identificação precoce é crucial, pois permite intervenções que podem reduzir o risco de AVC, como o uso de anticoagulantes.

Entretanto, nem todos os pacientes podem fazer uso desses medicamentos. Para atender a essa necessidade, o projeto também oferece uma solução inovadora em parceria com a Boston Scientific. Trata-se do implante Watchman FLX, um dispositivo que fecha a região do coração onde os coágulos tendem a se formar. Este procedimento minimamente invasivo, realizado por cateter, já beneficiou alguns dos pacientes diagnosticados.

Impacto Positivo e Futuras Perspectivas

Durante a discussão com a cardiologista, surgiu a dúvida sobre o número de diagnósticos realizados. Tieta destacou que, mesmo quando a arritmia não é detectada, os pacientes ganham com isso, pois saber que estão livres de fibrilação atrial é uma informação valiosa. “Esse conhecimento é, sem dúvida, um benefício tanto para os diagnosticados quanto para a saúde pública”, conclui a especialista.

A iniciativa de Recife não apenas reforça o papel da tecnologia na medicina moderna, mas também ilustra como a inteligência artificial pode salvar vidas, prevenindo condições graves, como o AVC. Com o avanço contínuo dessa tecnologia, espera-se que projetos semelhantes se espalhem por outras regiões do Brasil, ampliando o acesso a diagnósticos precoces e tratamentos eficazes.

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