quinta-feira 9 de abril

Iniciativa Inovadora em Recife

Um projeto revolucionário, que utiliza inteligência artificial, foi implementado em Recife com o objetivo de identificar possíveis vítimas de violência doméstica e feminicídio nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A ferramenta, chamada ‘ClarIA’, tem a capacidade de reconhecer sinais de violência e padrões de comportamento que podem estar associados a essas vítimas.

A análise de cerca de 16 mil registros de atendimentos a mulheres que sofreram violência nas unidades de saúde do município, em combinação com dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), revelou uma tendência preocupante: nos 90 dias que antecedem uma agressão ou feminicídio, a maioria das mulheres busca atendimento em serviços de saúde com mais frequência. Muitas relatam problemas relacionados à saúde mental.

Funcionamento da Tecnologia

A ‘ClarIA’ opera analisando dados clínicos e históricos contidos nos sistemas de saúde. Quando ela identifica indícios de violência, gera um alerta no sistema PEC e-SUS (Prontuário Eletrônico do Cidadão), facilitando a intervenção rápida e eficaz.

Essa iniciativa foi possível graças a uma parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria da Saúde, a Vital Strategies e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A colaboração entre essas instituições visa criar um ambiente mais seguro e acolhedor para as mulheres em situação de vulnerabilidade.

Rede de Apoio às Vítimas

Conforme a prefeitura, a tecnologia ‘ClarIA’ será implementada em 24 unidades de saúde, contando com 541 profissionais preparados para acolher as vítimas. Atualmente, 75% das notificações de violência contra a mulher registradas no Sinan são feitas pelos atendimentos de prontos-socorros, enquanto apenas 1% é registrado na Atenção Básica, o que evidencia a necessidade de um sistema mais eficaz.

A secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, enfatiza a importância da iniciativa: “A identificação precoce, a compreensão do contexto, o acolhimento qualificado e o encaminhamento para a rede especializada podem fazer toda a diferença na vida dessas mulheres, contribuindo para romper o ciclo de violência e até evitar desfechos fatais”.

Testes e Capacitação

Antes de ser lançada em outras unidades de Atenção Básica, a inteligência artificial passou por testes em três Unidades de Saúde da Família: Santo Amaro III, Santa Terezinha e Pilar, incluindo uma equipe E-Multi. Durante esse período, mais de 60 profissionais foram capacitados para reconhecerem sinais de violência e para prestarem acolhimento adequado às potenciais vítimas, garantindo que elas recebam o suporte necessário.

Essa abordagem inovadora pode ser um divisor de águas na luta contra a violência doméstica, permitindo que as autoridades de saúde atuem de forma proativa e, assim, salvem vidas. O uso da tecnologia nesse contexto não apenas melhora a identificação de vítimas em potencial, mas também fortalece as redes de apoio e acolhimento, fundamentais para a recuperação e proteção dessas mulheres.

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