quinta-feira 29 de janeiro

Aumento da Tensão Política em Pernambuco

A recente investigação da Polícia Civil, que teve como alvo o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, intensifica o embate entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD), ambos se preparando para a disputa eleitoral em Pernambuco em outubro. A gestão de Campos critica a ação como uma tentativa de uso eleitoral, enquanto a Secretária de Defesa Social, sob a liderança de Raquel Lyra, defende a legalidade do procedimento, iniciado após uma denúncia anônima.

O monitoramento de Monteiro, realizado entre agosto e outubro de 2025, envolveu agentes da Polícia Civil que o seguiam em um carro e compartilhavam detalhes de sua rotina em um grupo de mensagens que incluía delegados. Uma das imagens compartilhadas no grupo mostrava Monteiro, descrito como “alvo da missão”, o que foi revelado pela TV Record no último domingo.

Detalhes da Operação “Nova Missão”

Os agentes monitoraram um veículo utilizado tanto por Monteiro quanto por seu irmão Eduardo, que também foi alvo da fiscalização. Em setembro, um dispositivo de rastreamento foi instalado no carro, que estava estacionado próximo a um mercado no Recife, onde Eduardo, que atua como assessor da prefeitura, fazia compras. “Bom dia. Rotina do veículo se repetiu pela manhã. Veículo chega à prefeitura às 8 horas. Entra na garagem do subsolo e sai muito rapidamente, apenas com o motorista”, informava uma das mensagens obtidas pela emissora.

A Polícia Civil de Pernambuco declarou que a operação “Nova Missão” foi ativada após receber uma denúncia anônima sobre supostos pagamentos de propina a um servidor público do Recife. Contudo, como não foram encontradas evidências concretas, um inquérito não foi instaurado. As autoridades garantem que a conduta foi adequada e não irregular.

“De acordo com jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), denúncias anônimas por si só não autorizam a abertura imediata de inquérito policial. Elas são utilizadas apenas como fonte de informação, razão pela qual foram iniciadas as diligências preliminares, conforme o procedimento padrão, para verificar a veracidade da denúncia”, explicou o órgão.

Reações e Implicações Políticas

Na segunda-feira, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, respaldou a atuação da Polícia Civil, afirmando que a operação foi regular e que não há necessidade de autorização judicial para a instalação do rastreador no veículo. Contudo, a prefeitura do Recife se manifestou, repudiando qualquer uso indevido das forças de segurança de Pernambuco para fins de perseguição política. O comunicado da administração municipal descreve o ocorrido como uma “conduta ilegal, inconstitucional e imoral”, além de caracterizá-lo como uma tentativa de uso eleitoral.

O advogado Eduardo Trindade, que representa Monteiro, afirmou ter solicitado à Polícia Civil uma cópia do procedimento investigativo: “Queremos esclarecer se a investigação foi formal ou informal. O procedimento natural após uma denúncia é instaurar uma verificação preliminar dentro da estrutura policial. Um delegado precisa registrar um boletim de ocorrência, seja em uma investigação preliminar ou em um inquérito”.

Parlamentares aliados a Campos também se manifestaram. A vice-líder do governo Lula na Câmara, deputada federal Maria Arraes (Solidariedade), criticou a conduta das autoridades, chamando-a de “inadmissível” e referindo-se ao caso como um exemplo de espionagem. O deputado estadual Sileno Guedes, líder do PSB na Assembleia Legislativa de Pernambuco, também se pronunciou, afirmando que “a Polícia Civil de Pernambuco tem sido utilizada para espionar adversários”.

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