Reação da Governadora e do Prefeito
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), se manifestaram em vídeos nas redes sociais sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro ordenou o encerramento de uma investigação que envolvia três secretárias municipais e também solicitou que a Polícia Federal (PF) apure o suposto monitoramento ilegal do chefe de Articulação Política e Social da prefeitura, Gustavo Queiroz Monteiro, pela Polícia Civil.
Na gravação publicada no Instagram na noite do último sábado (31), Raquel Lyra ressaltou que “não existe por parte do governo de Pernambuco nenhuma orientação de perseguir quem quer que seja”. Ela enfatizou que todas as investigações necessárias serão feitas, desde que haja indícios suficientes. A governadora afirmou que a Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição autônoma e não deve ser utilizada para interesses políticos. “Não é hora de distorcer fatos nem transformar um tema técnico em palco eleitoreiro”, declarou.
A Atuação de João Campos
Por sua vez, João Campos fez críticas severas à situação, referindo-se à atuação de uma “polícia paralela” que, segundo ele, estaria operando de forma clandestina e criminosa em Pernambuco. O prefeito afirmou que a abertura do inquérito pela PF é essencial para investigar essas ações. “O Supremo Tribunal Federal acabou de determinar uma investigação a ser conduzida pela Polícia Federal depois que a imprensa nacional divulgou o que estava acontecendo de forma clandestina e criminosa em Pernambuco”, disse.
O tom de urgência nas declarações de Campos é notável. Ele classificou a situação como “inaceitável”, alegando que uma parte da Polícia Civil estaria sendo usada para fins eleitorais, sem qualquer formalidade. “Carros oficiais da prefeitura estão sendo rastreados e servidores estão sendo seguidos, tudo isso de forma clandestina e criminosa”, insistiu.
A Investigação e as Denúncias
A controvérsia começou quando uma reportagem revelou que a Polícia Civil teria monitorado, de maneira supostamente ilegal, o secretário Gustavo Queiroz Monteiro. A denúncia, que veio à tona no domingo (25) pela TV Record, afirmava que um veículo utilizado pelo secretário foi alvo de vigilância intensa, com a instalação de um rastreador por policiais civis entre agosto e outubro de 2025. O irmão de Gustavo, Eduardo Monteiro, também foi monitorado.
Na sequência, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, confirmou o monitoramento, afirmando que uma investigação preliminar ocorreu para verificar uma denúncia anônima de corrupção envolvendo o carro do secretário. No entanto, essa investigação não resultou na abertura de um inquérito, pois nenhum ato ilícito foi encontrado.
Desdobramentos da Decisão do STF
Ainda na segunda-feira (26), o prefeito João Campos anunciou que tomaria medidas legais contra os responsáveis pelo monitoramento. Além disso, a governadora Raquel Lyra, durante uma agenda oficial, defendeu a operação, afirmando que a polícia atuou para apurar uma “denúncia grave” de corrupção e que a ação estava dentro da legalidade.
No entanto, em uma reviravolta, o ministro Gilmar Mendes decidiu pelo trancamento da investigação contra as três secretárias municipais citadas em outro inquérito. Essa decisão foi baseada em uma petição do PSB, que alegou que as secretárias estavam sendo alvo de investigações desproporcionais e sem a devida autorização judicial.
Posicionamentos do MPPE e do Governo do Estado
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou que não havia sido notificado sobre a decisão do STF e que, no dia da decisão, já havia solicitado acesso aos autos do processo, que estão sob segredo de Justiça. O governo estadual reiterou, por meio de nota, que todas as suas ações em segurança pública seguem a legislação vigente.
Em meio a essa crise, o governo destaca que as diligências de apuração realizadas foram baseadas em critérios técnicos e com o intuito de verificar informações recebidas, respeitando os limites legais. A gestão estadual, portanto, reafirma seu compromisso com a legalidade e a integridade das instituições de segurança pública.
