Estudo detalha cenário das águas subterrâneas em Jurubatuba
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) finalizou um estudo aprofundado sobre as águas subterrâneas da região de Jurubatuba, localizada na zona sul da cidade de São Paulo. Financiada pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), a pesquisa reúne dados sobre contaminação, geologia e hidrogeologia da área, além de contribuir para o desenvolvimento de estratégias aprimoradas de monitoramento e gestão ambiental.
Complexidade da Área de Restrição e Controle Jurubatuba
A Área de Restrição e Controle (ARC) Jurubatuba abrange o entorno do canal do rio Jurubatuba, áreas próximas às represas Billings e Guarapiranga, além dos bairros Campo Grande, Jardim São Luís, Santo Amaro, Socorro e Vila Andrade, com uma pequena extensão no município de Taboão da Serra. Considerada uma das áreas contaminadas mais complexas da região, a zona tem histórico de intensa industrialização nas décadas de 1950 e 1960, motivada pela disponibilidade de espaços, transporte acessível e oferta de recursos como água e energia.
Nas últimas duas décadas, esse panorama mudou significativamente, com o declínio das atividades industriais e crescimento da ocupação residencial, especialmente por empreendimentos voltados às classes média e média-alta. Essa transformação urbana reforça a necessidade de ampliar o conhecimento técnico sobre o comportamento das águas subterrâneas e seus possíveis impactos ambientais.
Levantamento técnico e trabalhos de campo
A equipe da Seção de Planejamento Territorial, Recursos Hídricos, Saneamento e Florestas do IPT compilou uma extensa base de dados, incluindo fichas de poços, análises químicas, mapas geológicos e hidrogeológicos, imagens históricas, dados geofísicos, informações sobre uso do solo, saneamento, atividades econômicas e disponibilidade hídrica. Além disso, foram realizadas visitas técnicas para atualização e validação dos dados, inspecionando cerca de 400 poços em aproximadamente 300 endereços.
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O coordenador do estudo, José Luiz Albuquerque Filho, destaca que esses trabalhos permitiram a instalação progressiva de uma rede de monitoramento, com coletas regulares de dados hidrogeológicos e análises químicas, essenciais para compreender a dinâmica da região.
Análise focada em áreas contaminadas e monitoramento de VOCs
O estudo priorizou oito áreas com histórico de contaminação por compostos organoclorados, incluindo locais já reabilitados e regiões com alta densidade de poços próximas a corpos hídricos relevantes, como Pedreira, Socorro, Jurubatuba, Guarapiranga, Santo Amaro, Chácara Santo Antônio, Vila Andrade e Itaim Bibi. Após consolidar o banco de dados, 100 poços foram selecionados para campanhas de amostragem da água subterrânea.
Das 79 amostras analisadas por laboratório acreditado segundo a norma ABNT NBR 15.847, 15 apresentaram concentrações de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) acima do limite de quantificação. Estes compostos, conhecidos pela alta volatilidade e mobilidade, persistem no ambiente mesmo após a cessação das fontes de contaminação, exigindo monitoramento constante devido à sua toxicidade e durabilidade.
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Fonte: bh24.com.br
Desafios e avanços na gestão da ARC Jurubatuba
Albuquerque Filho ressalta que, embora o modelo de gestão da ARC Jurubatuba tenha representado avanço relevante na época de sua implementação, persistem desafios relacionados à complexidade da área e à necessidade de aprofundar o conhecimento técnico disponível. O pesquisador aponta que futuros progressos dependem da articulação entre a Política Estadual de Recursos Hídricos e a gestão integrada das áreas contaminadas, além do fortalecimento dos sistemas regionais de monitoramento e da unificação das bases de dados.
Proposta para monitoramento contínuo e gestão adaptativa
O estudo apresenta uma proposta de programa contínuo de monitoramento focado na identificação de zonas de entrada de água nos poços, acompanhamento de contaminantes e avaliação das tendências espaciais e temporais dos parâmetros hidrogeológicos e químicos. Esta iniciativa visa ampliar o conhecimento regional, subsidiar a gestão de áreas contaminadas e fornecer informações para decisões administrativas mais eficientes, promovendo uma gestão ambiental adaptativa.
O avanço na compreensão das águas subterrâneas e a melhoria dos sistemas de monitoramento são passos fundamentais para responder aos desafios ambientais da região e garantir a proteção dos recursos hídricos diante das transformações urbanas e históricas da zona sul paulista.

