sábado 31 de janeiro

Impactos da Isenção de Visto no Turismo Brasileiro

Recentemente, o governo federal brasileiro anunciou a isenção de vistos de curta duração para cidadãos chineses. Essa decisão foi tomada em resposta à política da China, que já facilitava a entrada de brasileiros sem visto desde junho de 2025, estendendo essa medida até o final de 2026. A nova regra promete um impulso significativo no turismo e nas viagens de negócios, embora exija cuidados em relação ao controle migratório e à fiscalização.

A avaliação sobre essa mudança é de João Alfredo Lopes Nyegray, professor doutor em internacionalização e especialista em Geopolítica e Negócios Internacionais da PUC-PR. Segundo ele, a isenção de visto pode estimular o fluxo de viagens ao Brasil, mas não provocará alterações imediatas ou automáticas. “Os vistos funcionam como custos de transação. Quando são minimizados, a mobilidade aumenta, especialmente em viagens de negócios, missões empresariais e deslocamentos de curta duração, que são mais suscetíveis a burocracias”, explica.

O impacto mais rápido deverá ser notado no turismo corporativo, que inclui feiras, visitas técnicas e negociações presenciais. Já no que se refere ao turismo de lazer, devido à distância entre Brasil e China, o crescimento será gradual, dependendo de fatores como conectividade aérea, estratégias de promoção internacional e uma infraestrutura turística adequada ao público chinês. “A isenção por si só não cria um aumento explosivo no fluxo, mas elimina um obstáculo significativo”, ressalta Nyegray.

Desafios e Oportunidades na Relação Brasil-China

No aspecto econômico, o professor Nyegray considera que a isenção de vistos atua mais como um facilitador estratégico do que como um gatilho imediato para novos investimentos. Para ele, relações econômicas robustas requerem presença física. Ao reduzir barreiras à movimentação, o Brasil aprimora seu ambiente de negócios para os parceiros chineses.

Os benefícios mais visíveis devem surgir nas áreas de comércio, serviços relacionados a negócios internacionais, logística, eventos empresariais e educação, conforme Nyegray. No entanto, a medida também levanta preocupações a respeito do controle migratório em um cenário de aumento do fluxo de visitantes. Entre os riscos, estão o uso indevido do status de visitante, permanências além do prazo permitido e a entrada de mercadorias destinadas ao comércio, disfarçadas como uso pessoal. Esses fatores podem sobrecarregar a fiscalização aduaneira e distorcer a concorrência interna.

Medidas Necessárias para o Sucesso da Isenção

Para garantir que a isenção de vistos traga benefícios reais, Nyegray defende que a política deve ser acompanhada de diretrizes claras e mecanismos complementares de governança migratória. Isso inclui triagens digitais prévias, integração de dados com companhias aéreas e cooperação bilateral em questões consulares. “Facilitar a mobilidade exige um Estado capaz de gerenciar essa abertura de maneira inteligente”, conclui o especialista.

Categorias de Viagens com Isenção de Visto

A isenção anunciada não se aplica a todas as modalidades de entrada. O governo brasileiro especificou que ela será válida para viagens de até 30 dias nas seguintes categorias:

  • Turismo, que abrange lazer e atividades recreativas;
  • Negócios, incluindo reuniões, feiras, congressos e eventos profissionais sem vínculos empregatícios;
  • Visitas a familiares ou amigos residentes no Brasil;
  • Intercâmbios culturais ou educacionais de curta duração, sem finalidade de residência ou trabalho;
  • Trânsito internacional, em conexões aéreas no território brasileiro.

É importante ressaltar que vistos para trabalho, residência, estudos de longa duração ou atividades remuneradas continuarão sendo sujeitos à autorização consular, de acordo com a legislação migratória brasileira.

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