segunda-feira 12 de janeiro

Aumento Significativo na Visitação aos Lençóis Maranhenses

Os Lençóis Maranhenses, um dos destinos turísticos mais icônicos do Brasil, têm experimentado um notável aumento no número de visitantes nos últimos anos. Entre 2019 e 2024, a visitação cresceu expressivos 191%, o que despertou a atenção de gestores públicos e operadores de turismo. Com isso, autoridades já começam a discutir a possibilidade de implementar um limite diário para entradas no parque nacional.

Esse debate surge em um contexto em que os Parques Nacionais do Brasil registraram um total de 12,4 milhões de visitantes em 2024. Além disso, a recente classificação dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Natural Mundial pela Unesco elevou ainda mais a notoriedade internacional desse destino.

Análise de Dados Para Possíveis Restrições

Ainda não há uma decisão final sobre a imposição de restrições de acesso. A análise dos dados está sendo conduzida pelo ICMBio, órgão responsável pela gestão do parque, em conjunto com as prefeituras das cidades que cercam os Lençóis e representantes das comunidades locais.

A proposta é entender qual seria a capacidade ideal de visitantes antes de definir qualquer medida de limitação. Essa preocupação com a preservação já aparece no edital que credencia os operadores de turismo autorizados a realizar atividades no parque.

“O desenvolvimento econômico da região é inegável. O turismo tem sido um verdadeiro motor de transformação aqui. No entanto, os números estão intrigantes, e a análise é essencial para entender a capacidade de visitas. Temos que cuidar do lençol freático, que é nossa grande preocupação”, afirmou Matteo Soussinr, proprietário da pousada Ciamat Camp.

Crescimento Acelerado em Santo Amaro

Matteo, que chegou da Itália a Santo Amaro em 2013, abriu uma pousada focada em turismo sustentável e na valorização da mão de obra local. Desde então, ele tem testemunhado uma verdadeira revolução na cidade, que conta hoje com cerca de 20 mil habitantes, mas que recebe até três vezes essa quantidade de turistas durante a temporada alta, que acontece entre junho e agosto.

Dados da prefeitura de Santo Amaro revelam que o número de visitantes saltou de 61 mil em 2021 para 297 mil em 2024. No total do parque, a visitação aumentou de 141 mil em 2019 para 440 mil em 2024. Embora os números de 2025 ainda não estejam consolidados, entre janeiro e julho deste ano, o parque já recebeu 381.131 turistas, um aumento de 37,55% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Houve uma mudança radical nos números, um crescimento exponencial”, destacou Soussinr, que também alerta para a situação em Barreirinhas, a maior cidade da região. “Barreirinhas já demonstrou que, sem planejamento adequado, surgem problemas sérios como crescimento desordenado, especulação imobiliária e acúmulo de lixo. Esses desafios estão começando a afetar Santo Amaro também”.

Desafios da Superlotação e Conscientização Local

Com a elevação da demanda turística, nas redes sociais circulam vários vídeos de visitantes que se mostraram surpresos com a superlotação de algumas atrações. Entre as mais procuradas está a Lagoa Bonita, que tem visto um aumento significativo no número de passeios bate-volta que partem diariamente de São Luís (MA).

Porém, Soussinr ressalta que, comparado à média do estado do Maranhão, a infraestrutura nos Lençóis Maranhenses ainda se destaca positivamente, com a população local demonstrando uma boa consciência sobre a preservação ambiental.

Atualmente, os turistas que visitam Santo Amaro pagam uma taxa de R$ 10, que é válida por três dias, além de impostos relacionados a passeios turísticos.

O Contexto do Turismo de Massa no Brasil

O debate sobre o controle de visitantes nos Lençóis Maranhenses se insere em um cenário mais amplo de crescimento do turismo de massa no Brasil. Em 2025, o país registrou a chegada de 9,2 milhões de turistas internacionais, um marco celebrado pelo governo, mas que também trouxe à tona fragilidades em destinos com infraestrutura insuficiente.

Casos de conflitos entre barraqueiros em locais como Porto de Galinhas (PE) e Balneário Camboriú (SC) acenderam um alerta sobre o crescimento desordenado e a falta de políticas públicas eficazes. Após os incidentes em Porto de Galinhas, a prefeitura de Ipojuca (PE) proibiu a exigência de consumo mínimo nas praias, enquanto Niterói (RJ) estabeleceu um teto para aluguel de barracas. Outros destinos, como Florianópolis (SC) e Arraial do Cabo (RJ), também intensificaram suas estratégias de fiscalização.

Além disso, o controle de visitantes em áreas ambientais vem avançando em locais como Jericoacoara (CE), Ilha Grande (RJ) e Morro de São Paulo (BA), onde a cobrança de taxas de visitação gerou disputas judiciais.

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