A Música e a Cultura Pernambucana de Lenine
Oswaldo Lenine Macedo Pimentel, conhecido simplesmente como Lenine, é um dos ícones mais influentes da música brasileira. Nascido em Recife no dia 2 de fevereiro de 1959, o artista celebra hoje seu aniversário, refletindo sobre uma carreira repleta de conquistas desde a década de 1980. Sua versatilidade como cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista e produtor musical faz dele uma figura admirada por diferentes gerações. Com uma vida marcada pela música, Lenine é filho de José Geraldo e Daisy Pimentel, e seu trabalho já rendeu impressionantes seis Grammys Latinos, além de prêmios da APCA e da Música Brasileira.
Lenine compartilha que sua paixão pela música surgiu de um ambiente familiar repleto de melodias. “Desde pequeno, todos em casa tocavam algum instrumento. Minha mãe tinha um caderno com suas músicas favoritas, meu pai tinha o dele, e meus irmãos também contribuíam. O violão sempre esteve presente”, relembra.
O Carnaval e a Homenagem a Lenine
A relação de Lenine com o Carnaval do Recife é profunda e emocional. Para ele, ser homenageado durante a festa representa o reconhecimento de sua música, que transcende a efemeridade das tradições. “Estou muito feliz com essa homenagem. O Carnaval sempre me deu espaço para tocar minha música, que é imersa na cultura pernambucana”, afirma. Ele acredita que a folia pernambucana é um culto à ancestralidade, uma expressão viva de tradições como o frevo e o maracatu.
O artista destaca a importância do Carnaval como um espaço democrático, onde todos se reúnem para celebrar a cultura. “Ver a multidão cantando ‘Hoje Eu Quero Sair Só’ é uma experiência indescritível. Um dos meus momentos favoritos foi quando cantei ‘Paciência’ com Milton Nascimento ao amanhecer, no Marco Zero. Você pode imaginar essa cena?”, compartilha.
Memórias e Influências no Carnaval
Ao recordar sua infância, Lenine menciona memórias marcantes relacionadas ao Carnaval. “A preparação começava muito antes da festa, com a costura das roupas e a escolha das fantasias. Minha mãe fez um vestido incrível com um Galo da Madrugada. Lembro-me do medo que senti ao ver um maracatu pela primeira vez, aqueles Caboclos de Lança me impressionaram muito”, confessa.
Sobre a interseção entre o popular e o sofisticado em sua música, Lenine reflete: “Acredito que música é música, sem adjetivos. Trabalho para tocar a alma das pessoas através da harmonia entre palavras e sons. Isso é o que busco sempre em minha arte”.
A Ligação Duradoura com Recife
Lenine, que deixou Recife aos 20 anos, ressalta que sua identidade permanece indissociável da cidade. “Carrego o Recife dentro de mim. Esses primeiros anos de vida moldaram quem sou. Sou profundamente pernambucano em essência e alma”, afirma.
Para ele, o Carnaval ainda é um espaço de afirmação cultural e política. “Nele, encontramos a crônica e a provocação, mas também celebramos a vida. O Carnaval é vital, assim como na Grécia antiga, onde essas festividades também tinham um significado profundo”, destaca.
Conselhos para Novos Artistas
Lenine, ao aconselhar novos talentos, enfatiza a importância da determinação e autenticidade. “A jornada não é fácil e o talento é apenas uma parte do processo. É crucial ter clareza do que se deseja fazer e se entregar à arte. Se você acredita, siga em frente, pois é maravilhoso viver essa escolha”, aconselha.
O Futuro Artístico de Lenine
O artista ainda busca novas experiências em sua carreira. “Continuo querendo alcançar lugares onde nunca estive, seja criando canções ou desenvolvendo arranjos para o Carnaval do Recife”, revela. Ele se prepara para a estreia de sua turnê em 2026, após o lançamento de seu projeto audiovisual “Eita”, que representa a permanência de sua arte.
Quando questionado sobre o que move sua criatividade, Lenine reflete sobre o papel da tecnologia na música. “A tecnologia é uma ferramenta, como um instrumento musical. Uso-a para buscar beleza e novas sonoridades, explorando diferentes formas de expressão”, explica.
Se o Carnaval do Recife fosse uma canção, ele se arriscaria a plagiar Capiba: “De chapéu de sol aberto, pelas ruas, eu vou…”. Ao final da festa, Lenine admite sentir uma “ressaca gostosa” após compartilhar momentos de celebração com o público. Em 2026, ele promete retornar ao Recife em sua nova turnê, reafirmando seu amor pela cidade e sua cultura.

