sexta-feira 6 de fevereiro

Celebração do Legado Musical

O legado de Jackson do Pandeiro transcende suas impressionantes 400 composições, manifestando-se em uma rica variedade de ritmos que ele dominou com maestria, como baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, frevo, maracatu e samba. Essa diversidade musical continua a ressoar, desafiando comparações até hoje.

Para garantir que essa herança permaneça vibrante, os admiradores do artista têm um papel fundamental. A cantora recifense Lucinha Guerra, por exemplo, vem desempenhando essa missão com seu espetáculo “Do Jackson ao Pandeiro”, que acontecerá nesta terça-feira, às 19h30, na Caixa Cultural. Parte da programação do Janeiro dos Grandes Espetáculos, o evento já teve todos os ingressos vendidos.

Uma Viagem pelo Repertório de Jackson

Assumindo a direção artística e musical, Lucinha Guerra apresenta uma linha do tempo que homenageia o “Rei do Ritmo”, trazendo à tona faixas menos conhecidas do vasto repertório de Jackson. Entre elas, destaca-se “Dia de Beijada”, que representa a fase em que o artista explora temas de espiritualidade.

Entretanto, o setlist não deixa de lado os clássicos amados pelo público, como “Sebastiana” e “Chiclete com Banana”. O show contará com um total de 15 músicas, com duração de aproximadamente uma hora, e terá a produção de Pedro de Castro, além da participação de talentosos músicos como Gabriel dos Anjos, George Rocha, Nelson Brederode, Julho Cruz e Tonynho do Acordeon.

O Estilo Inconfundível de Lucinha

Assim como Jackson do Pandeiro, Lucinha Guerra canta por amor à música, sem se limitar a um único estilo. Formada em Canto pela UFPE, ela flui com naturalidade entre diversos gêneros, como samba, forró e até música francesa. No entanto, para ela, nenhuma obra se compara ao legado do mestre paraibano, destacando canções como “Baião do Bambolê” e “Sebastiana”. Em entrevista, Lucinha declarou: “Sou uma pessoa do ritmo, e o Jackson é puro ritmo.” Com uma trajetória de cinco décadas como ouvinte e mais de 15 anos interpretando suas canções, ela continua a redescobrir a obra de Jackson a cada novo projeto.

Preservação da Memória Musical

Preservar a memória musical é um dos principais objetivos de Lucinha. Além de Jackson, ela também homenageia outros grandes nomes, como Luiz Gonzaga e Carlos Fernando, em um repertório que reflete essa escolha consciente. “Eu sempre procuro cantá-los, porque é música pura, clássica, eterna. Precisa ser perene”, justifica.

No ano de 2019, Lucinha participou de uma celebração marcante no Festival de Inverno de Garanhuns, ao lado de renomados artistas como Silvério Pessoa e Elba Ramalho, em homenagem ao centenário de Jackson. Agora, sem uma efeméride específica, ela volta a se dedicar intensamente ao Rei do Ritmo. “É sempre tempo de comemorar o Jackson do Pandeiro”, afirma.

A Importância de Jackson do Pandeiro

Na visão de Lucinha, o Brasil ainda não reconheceu a grandeza de Jackson, nem mesmo em sua terra natal, Pernambuco, onde ele residiu por cinco anos e se destacou como mestre do coco, embolada, baião e frevo. “Ele também é nosso”, defende, ressaltando a importância de uma voz feminina pernambucana para dialogar com a primeira fase do artista, que ainda é pouco explorada. “A linguagem dele é muito contemporânea, diria que até eterna”, acrescenta.

Enquanto Lucinha Guerra se prepara para subir ao palco, o legado de Jackson do Pandeiro ganha vida. Mesmo com os ingressos esgotados para esta apresentação, a cantora já planeja trazer de volta o espetáculo durante o São João. “Ele é paraibano de origem, mas sua música tem alma pernambucana”, finaliza Lucinha, reafirmando seu compromisso em fazer da memória musical um ato de resistência e celebração.

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