domingo 29 de março

Solidariedade em Tempos de Crise

O 1º Encontro Nacional do Mãos Solidárias teve início neste sábado (28), reunindo educadores, parlamentares e líderes de movimentos populares no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), localizado no Recife. O evento, que ocorrerá ao longo de três dias, visa consolidar a identidade da campanha e fortalecer o trabalho nas periferias urbanas, além de discutir os desafios organizativos em direção a 2026.

A deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE) abriu o encontro ressaltando que a campanha surgiu durante a pandemia de covid-19, em um dos momentos mais difíceis da história recente do Brasil. O intuito era combater a fome e o crescimento do conservadorismo nas periferias. Ela destacou que a experiência promovida em Pernambuco se transformou em uma verdadeira tecnologia social de mobilização popular. “Foi aqui nessa terra que nasceu essa experiência social, que salvou vidas e construiu uma tecnologia de organização e mobilização do povo para a luta”, afirmou.

Outro participante, o deputado estadual João Paulo (PT-PE), ex-prefeito do Recife, enfatizou a importância da solidariedade organizada no enfrentamento da fome no país. Ele fez uma comparação da atuação do Mãos Solidárias nas áreas urbanas com a histórica luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nas zonas rurais. “É inadmissível que em um país com tantas terras para plantar ainda existam brasileiros sem o que comer”, declarou, defendendo a resistência popular e a organização coletiva como caminhos essenciais.

Parcerias e Solidariedade Internacional

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Cairo, também estava presente e relembrou o histórico de cooperação entre a ilha do Caribe e o MST. Ele agradeceu as inúmeras demonstrações de solidariedade do povo brasileiro em relação a Cuba, principalmente diante das dificuldades enfrentadas devido ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. “Agradeço pelas diferentes formas de solidariedade do povo brasileiro ao povo cubano. Hoje, Cuba precisa dos amigos, e é fundamental que os amigos estejam juntos em tempos de grandes problemas”, expressou Cairo.

A vereadora de Olinda, Eugenia Lima, destacou que, em meio ao avanço da extrema direita e aos projetos conservadores, iniciativas como o Mãos Solidárias desempenham um papel vital para organizar o povo, enfrentar a fome e restaurar a esperança nas comunidades. Essas ações são vistas como fundamentais para o fortalecimento social.

Representando os movimentos sociais e a juventude, Daiane Araújo, do Levante Popular da Juventude, enfatizou que a solidariedade deve ser entendida como um princípio revolucionário capaz de promover transformação social. O evento é especialmente voltado para mulheres trabalhadoras envolvidas em cozinhas solidárias, participantes de jornadas de alfabetização e jovens que atuam como educadores populares em suas comunidades.

Foco na Transformação Social

O Mãos Solidárias, desde sua criação, tem se dedicado a criar uma rede de apoio que visa não apenas o alívio imediato da fome, mas também a transformação estrutural das condições sociais. Com essa proposta, o encontro busca ampliar a colaboração entre diferentes segmentos da sociedade, reforçando a ideia de que a união é fundamental para enfrentar os desafios sociais contemporâneos. Os participantes esperam que, ao final do evento, novas estratégias e ações coletivas sejam definidas para fortalecer a luta contra a fome e por justiça social no Brasil.

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