terça-feira 21 de julho

Experimento pioneiro na Amazônia para simular o clima do futuro

No coração da Floresta Amazônica, um equipamento inovador está sendo utilizado para reproduzir as condições climáticas previstas para as próximas décadas. Cientistas instalaram uma estrutura composta por seis anéis de 30 metros de diâmetro, formados por torres de até 40 metros de altura, que liberam dióxido de carbono (CO2) diretamente nas copas das árvores, ao ar livre. Essa “máquina do tempo” climática tem como objetivo principal entender como o aumento do CO2 vai afetar o funcionamento da floresta.

Detalhes da instalação e funcionamento

Localizada a cerca de 100 km de Manaus, a estrutura conta com 16 torres de alumínio fabricadas em Campinas (SP) e transportadas por uma longa viagem de 15 dias até a Amazônia. Conforme explica Carlos Alberto Quesada, coordenador científico do AmazonFace/INPA, o experimento simula uma atmosfera semelhante à que o planeta poderá ter em 30 a 50 anos, permitindo que os pesquisadores analisem os efeitos do aquecimento global em escala real.

O repórter Heitor Moreira destaca que, ao entrar em um desses anéis, o ar que será respirado em poucos meses representará o ar futuro. O monitoramento é abrangente: “Dentro desses anéis, a gente precisa medir simplesmente tudo. Desde a fotossíntese até o topo das copas das árvores, e até a produção de raízes finas abaixo do solo”, afirma David Lapola, coordenador científico do AmazonFace/Unicamp.

Importância dos dados para políticas públicas e meio ambiente

Os dados coletados são enviados para computadores que simulam os impactos das mudanças climáticas em áreas maiores e por períodos prolongados. O projeto, realizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com o governo britânico, visa antecipar os efeitos do aumento do CO2 na floresta, especialmente a possível redução da liberação de vapor d’água pelas árvores, fenômeno fundamental para a manutenção do ciclo hidrológico.

“Esta é uma janela para o futuro”, analisa a engenheira florestal Isabela Aleixo. “Com este experimento, conseguimos prever cenários futuros e orientar políticas públicas para enfrentar os desafios ambientais decorrentes dessas mudanças.”

Conexões climáticas e impacto regional

Carlos Alberto Quesada destaca que entre 30% e 50% das chuvas do Sul do Brasil têm origem na umidade liberada pelas árvores amazônicas. Essa umidade alimenta a formação das chamadas “rios voadores”, correntes atmosféricas que transportam vapor para outras regiões da América do Sul, influenciando a agricultura, a geração de energia e o abastecimento alimentar de milhões de pessoas.

Compreender as transformações esperadas para a floresta é fundamental para preservar não apenas o ecossistema amazônico, mas também o futuro climático e econômico do país e da região.

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