Apostando na Força do Lulismo
Após uma série de disputas intensas, incluindo a eleição para o governo do estado e a prefeitura do Recife, Marília Arraes (SD) se mostra determinada em seu projeto de conquistar uma cadeira no Senado. A ex-deputada federal, que já se consolidou como um dos principais nomes do lulismo em Pernambuco, reconhece a importância de sua associação com o presidente Lula, buscando explorar ao máximo a popularidade do líder nacional e a identificação histórica do eleitor pernambucano com a esquerda progressista.
Nos bastidores, fontes próximas a Marília revelam que ela está se articulando com lideranças estaduais para fortalecer sua candidatura. Essa estratégia parece lógica, já que Arraes conta com um alto recall eleitoral, resultado de sua recente candidatura ao governo e de uma base sólida na capital, além de uma presença marcante nas cidades do interior. O sobrenome Arraes, que carrega um grande peso político em Pernambuco, também é um ativo significativo em sua campanha.
Em um cenário de disputa proporcional, as qualidades de Marília são vantajosas. Em uma eleição majoritária, essas características podem se tornar determinantes, especialmente se ela conseguir se posicionar em um palanque nacional competitivo, ampliando sua visibilidade e apoio.
O Cenário Eleitoral em Pernambuco
Um aspecto que entusiasma os apoiadores de Marília é a expectativa de uma eleição para o Senado em Pernambuco que deve ser uma das mais fragmentadas dos últimos anos, com muitos candidatos e poucos favoritos claramente estabelecidos. Isso abre espaço para novas possibilidades e desafios.
A questão que permanece é se haverá espaço para Marília na chapa liderada por João Campos, uma vez que o atual senador Humberto Costa (PT) parece estar praticamente confirmado como candidato na aliança. Campos, do PSB, teria que considerar a inclusão de Marília na sua chapa ou arriscar perder votos do eleitorado de centro-direita, que pode ser crucial em sua campanha.
Prioridades na Chapa de João Campos
Uma fonte próxima ao prefeito revelou à coluna que a prioridade de João Campos é formar uma chapa que inclua a federação União Progressista. Essa decisão sugere que Campos está considerando incorporar nomes como Miguel Coelho ou Eduardo da Fonte, o que pode impactar as chances de Marília Arraes.
“A oposição já esperava por esse desfecho. O prefeito conta com uma base forte na Câmara, e é natural que o resultado do impeachment seja favorável a ele. Com 37 vereadores, é previsível que apenas onze se posicionem contra”, comentou o vereador Eduardo Moura, que formulou o pedido de impeachment.
Movimentações no Cenário Político
Recentemente, o pedido de impeachment contra João Campos foi rejeitado com uma ampla maioria na Câmara de Vereadores, como era esperado. Enquanto isso, Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, se encontra em Brasília ocupando sua agenda com reuniões estratégicas para avançar em seu projeto de candidatura ao Senado.
No município de Santa Cruz do Capibaribe, o prefeito Helinho Aragão intensificou suas críticas aos deputados estaduais Diogo Moraes e Edson Vieira, ressaltando o tempo que ambos têm na política e cobrando atitudes mais efetivas.
Por fim, fica a questão: Marília Arraes estaria disposta a considerar uma candidatura avulsa se não encontrasse espaço na chapa de João Campos? O desenrolar dos próximos meses revelará como essas movimentações impactarão o cenário político de Pernambuco.

