Atrasos e Vistorias Complicam a Situação do Metrô do Recife
No início de 2026, o Metrô do Recife enfrenta um desafio significativo com a reprovação de quatro dos cinco trens que deveriam ser enviados de Porto Alegre. O acordo firmado entre o governo federal e o governo de Pernambuco, que visa a “estadualização” da administração do sistema, previa a entrega de 11 trens para melhorar a operação metroviária. Contudo, a entrega já atrasada deve agora ser reduzida para apenas sete trens.
Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), relatou que, além da reprovação dos trens gaúchos, há problemas com outros seis trens que estão sendo negociados com um ferro velho em Belo Horizonte. O valor da negociação está surpreendentemente alto, conforme informações obtidas.
O acordo estabelecido em dezembro de 2025 inclui um aporte de R$ 150 milhões da União, com a expectativa de que, após a regularização, o metrô seja concedido à iniciativa privada. O repasse dos trens é considerado uma medida emergencial, uma vez que o sistema do Metrô do Recife requer um reforço urgente.
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Desafios na Entrega dos Trens
Dos 11 trens previstos para fortalecer o sistema metroviário, seis deveriam ter chegado em janeiro de 2026. Em fevereiro daquele ano, a Secretaria Estadual de Mobilidade e Infraestrutura esclareceu que o atraso estava vinculado a “fatores operacionais e logísticos”. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que os trens vindos do Rio Grande do Sul foram reprovados devido ao alto grau de degradação e os custos exorbitantes para sua recuperação.
De acordo com a CBTU, apenas um dos trens foi aprovado, tendo passado por uma revisão completa e sendo considerado apto para operação. Os outros quatro não foram aprovados por conta dos elevados custos de reparo. A CBTU ainda não especificou uma data precisa para a entrega do trem aprovado e informou que a chegada das locomotivas de Belo Horizonte está prevista entre maio e setembro de 2026.
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Questionamentos sobre a Frota
Durante uma entrevista ao g1, Luiz Soares destacou que os trens de Belo Horizonte foram negociados como sucata e não se adequam ao sistema do Metrô do Recife, o que exigiria adaptações. “Os trens de BH estavam sendo vendidos por cerca de R$ 2 milhões como sucata, mas agora o preço subiu para aproximadamente R$ 60 milhões pelas três composições. Além disso, não são compatíveis com o nosso sistema”, declarou Soares.
Ele também enfatizou que os trens de Porto Alegre, que não estão em operação há anos, apresentam desgaste comparável ao da frota atual do Recife. Parte das composições necessitará de reparos antes de serem colocadas em funcionamento. “Esses trens, com mais de 30 anos, não estavam em uso e estão em condições similares aos de Belo Horizonte”, afirmou o sindicalista.
O g1 também procurou a CBTU para obter respostas sobre as declarações de Soares sobre os valores dos trens e as necessidades de adaptação. Contudo, ainda não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Os desafios enfrentados pelo Metrô do Recife refletem a necessidade de um planejamento mais eficaz e investimentos consistentes para garantir um transporte público eficiente e seguro para a população.

