A Ascensão de Michelle Bolsonaro no Cenário Político do DF
A recente queda do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio ao escândalo do caso Master, elevou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) a uma posição estratégica no eixo político da direita no DF. O grupo, que outrora se apoiava na força do governador, agora gira em torno de Michelle, que se tornou a principal articuladora nas disputas políticas locais. O início dessa nova fase se dá com a formação da chapa puro-sangue do PL, que contará com a ex-primeira-dama e a deputada federal Bia Kicis como candidatas ao Senado.
Após a divulgação da reportagem sobre a situação de Ibaneis, o ex-governador José Roberto Arruda enviou uma nota afirmando que, com as mudanças na Lei da Ficha Limpa programadas para 2025, “não há dúvida de que o prazo de inelegibilidade” termina antes das eleições deste ano. Essa declaração adiciona mais uma camada de complexidade ao já tumultuado cenário político local.
O Papel de Michelle e a Reação do PL
Apesar do desconforto sentido por membros do PL, tanto na Câmara quanto no Senado, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, segundo informações de um parlamentar, “lavou as mãos” em relação à situação, deixando claro aos insatisfeitos que não pretende contrariar Michelle e que ela terá autonomia para conduzir o partido no Distrito Federal. Por outro lado, Costa Neto liberou os congressistas para apoiar outros candidatos, especialmente Arruda, visto como a opção preferida dentro do PL local, caso Michelle não decida apoiar Celina Leão.
O deputado Alberto Fraga (PL-DF) comentou sobre a flexibilidade dentro do partido, afirmando: “Se o partido é liberal, como diz o nome, eu combinei que fico no PL, mas podendo apoiar o meu candidato, o Arruda”. Essa dinâmica indica uma mudança significativa na estrutura de apoio do PL, com a ex-primeira-dama assumindo um papel de liderança e influência.
Ibaneis e Suas Perspectivas para o Futuro
Antes do envolvimento de Ibaneis no caso do Banco Master se tornar público, ele era considerado um forte candidato às eleições de 2026, tendo sido reeleito em 2022 no primeiro turno com 50,3% dos votos válidos. No entanto, a sua queda em popularidade pode ter mudado suas aspirações. Nos bastidores, pessoas próximas relatam que Michelle observa a derrocada de Ibaneis com certo divertimento. Ela já estava atenta ao desenrolar da situação na Câmara Legislativa e acompanhava com interesse a disputa entre os deputados distritais e o governador.
Recentemente, após a votação de um socorro ao Banco de Brasília (BRB), que foi aprovada por 14 votos a 10, Ibaneis tomou a decisão de demitir funcionários do governo que haviam sido indicados por deputados da base aliada que votaram contra a proposta. Essa ação levantou mais preocupações sobre sua capacidade de manter o apoio político necessário para as futuras eleições.
Implicações Legais e Candidaturas Futuras
O cenário se complica ainda mais com as decisões do Ministério Público, que reconheceu a conexão entre as ações relacionadas ao caso Master. O MP solicitou a prevenção da 2ª Vara da Fazenda Pública para julgar as questões, indicando que as implicações legais podem influenciar o pleito de 2026. Considerando que a primeira decisão colegiada condenatória ocorreu em 9 de julho de 2014, os 8 anos de inelegibilidade se encerraram em 9 de julho de 2022, o que afastaria restrições à participação de Ibaneis. Mesmo sob uma interpretação mais restritiva, a nova legislação permitiria que ele se candidatasse, uma vez que o prazo de inelegibilidade se encerraria em 9 de julho de 2026, antes das eleições de outubro de 2026.
Portanto, independentemente da interpretação das novas regras, a participação de Ibaneis no pleito de 2026 não encontra impedimentos legais significativos, a menos que surjam novos desdobramentos. O desfecho dessa história política, que envolve figuras como Michelle Bolsonaro e Ibaneis Rocha, certamente terá repercussões no futuro do Distrito Federal.

