Transformação da Guarda Municipal: Um Aumento da Repressão
BRASIL – No contexto de uma crescente desigualdade social, um déficit habitacional alarmante e altas taxas de desemprego, a gestão de João Campos (PSB) na Prefeitura do Recife tem tomado decisões que priorizam a repressão. Desde janeiro de 2026, a Guarda Municipal do Recife (GCMR) recebeu treinamento para o uso de armamento letal, o que levanta sérias questões sobre a segurança pública e os direitos humanos na cidade.
Em vez de promover políticas sociais para combater as causas da violência, a administração optou por imitar práticas da Polícia Militar, mas agora com uma nova abordagem no âmbito municipal. Essa escolha política revela uma clara intenção de transformar a GCMR em uma força auxiliar de repressão, especialmente direcionada a trabalhadores informais e à população negra da cidade.
A Proteção da Propriedade Privada em Primeiro Lugar
A mudança no papel da GCMR não é um simples ajuste administrativo, mas uma decisão que reflete uma política de higienização social. A Guarda Municipal historicamente atuou como uma linha de frente nos centros comerciais e pontos turísticos, onde denúncias de abusos se tornam cada vez mais frequentes. O confisco de mercadorias e agressões a camelôs e trabalhadores informais se tornaram corriqueiros, evidenciando a falta de proteção ao cidadão comum e a prevalência da defesa da propriedade privada.
Com a introdução de armamento letal, os agentes da GCMR ganharão uma licença para atuar de maneira ainda mais agressiva. Esta abordagem truculenta, já habitual, pode se intensificar, levantando preocupações sobre o uso excessivo da força e a escalada da violência.
Impactos Sociais e Violência Estrutural
A realidade no Brasil é preocupante: temos uma das polícias que mais matam no mundo, com a juventude negra frequentemente como alvo preferencial. A criação de mais uma força policial, que segue a mesma ideologia de confronto contra o que é considerado um “inimigo interno”, apenas agrava a situação, resultando em um aumento no extermínio da população mais vulnerável. Em 2021, Pernambuco registrou o assassinato de 101 pessoas negras em ações policiais, um dado alarmante que reflete um padrão de violência que se estende além da capital, atingindo também as cidades do interior.
A contradição é evidente: enquanto o Centro de Operações do Recife (COP) recebe investimentos substanciais em tecnologia de vigilância e reconhecimento facial, as comunidades carentes permanecem desprovidas de serviços essenciais, como saneamento adequado e obras de contenção para evitar tragédias climáticas. Essa disparidade na alocação de recursos expõe a prioridade da administração atual em manter uma imagem de segurança em detrimento de soluções efetivas para as questões sociais.
Mobilização Necessária Contra a Violência Estatal
Os recursos destinados à aquisição de pistolas, munição e treinamento de agentes não surgem do vácuo; são retirados do mesmo orçamento que deveria financiar educação, saúde e programas sociais. Com isso, torna-se urgente que movimentos sociais e a classe trabalhadora se unam para protestar contra essa militarização exacerbada da Guarda Municipal. Não podemos aceitar que Recife se transforme em um cenário propício à violência estatal, onde a repressão substitui a proteção e o apoio à comunidade.

