quinta-feira 29 de janeiro

Prefeito se manifesta sobre denúncia de espionagem

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), se manifestou em relação à denúncia de que a Polícia Civil estava monitorando o secretário municipal Gustavo Queiroz Monteiro. Em um vídeo publicado no Instagram, na noite de segunda-feira (26), Campos afirmou que tomará medidas legais contra os responsáveis pela ação e reafirmou que a situação não ficará sem resposta.

A denúncia revela que um veículo funcional utilizado por Monteiro foi alvo de vigilância policial e que um rastreador foi colocado no carro pelos agentes. O governo estadual confirmou o monitoramento, alegando que a operação foi instaurada após uma denúncia anônima sobre corrupção na prefeitura, porém negou qualquer irregularidade nos procedimentos.

“A democracia brasileira não permite, nem permitirá, nenhum arroubo autoritário. Vou utilizar todos os instrumentos legais disponíveis para responsabilizar os envolvidos”, declarou João Campos, em uma demonstração de firmeza em sua posição.

Investigação e suas implicações

De acordo com a denúncia, o monitoramento ocorreu entre agosto e outubro de 2025, e o irmão do secretário, Eduardo Monteiro, também teria sido alvo de espionagem. Campos enfatizou que o problema não é a polícia investigar, mas a forma como isso foi feito. “Não houve ordem judicial, não houve formalidades. É criminoso e absurdo”, acrescentou. Ele destacou ainda o papel da imprensa na revelação do caso, afirmando que sem a cobertura midiática, a situação poderia ter se agravado.

Durante uma coletiva de imprensa, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, confirmou que a investigação sobre corrupção teve início com uma denúncia anônima, mas afirmou que não havia indícios suficientes para a abertura de um inquérito policial até o momento. O secretário também desmentiu que o monitoramento tivesse sido realizado de maneira irregular.

A denúncia inclui informações sobre um grupo de WhatsApp formado por membros da Polícia Civil, onde havia troca de informações sobre a rotina do secretário. A existência desse grupo, nomeado de “Nova Missão”, foi confirmada pela Secretaria de Defesa Social (SDS). No grupo, os policiais teriam compartilhado fotos do veículo e discutido a instalação do rastreador, que ocorreu quando o carro estava estacionado em um supermercado.

Questionamentos sobre ética e procedimento

No vídeo, o prefeito pediu explicações sobre quem teria autorizado a criação do grupo e classificou as ações como “ilegais” e “imorais”. “Uma instituição tão séria como a Polícia Civil, com 200 anos de história, não pode se permitir esse tipo de prática. Será que iriam criar provas falsas para incriminar pessoas inocentes?”, questionou Campos, enfatizando a necessidade de respeito às normas e procedimentos legais.

A coletiva de imprensa do secretário Carvalho revelou que a investigação teve início após a SDS receber um documento com imagens do secretário e do seu irmão, além de registros do veículo estacionado. O documento referia-se a Gustavo como “braço direito do prefeito” e fazia acusações graves sobre sua atuação na arrecadação e distribuição de recursos.

Eduardo Monteiro foi descrito no documento como alguém que estaria intimamente ligado ao gabinete do prefeito e que, supostamente, teria seu envolvimento em esquemas de corrupção e manipulação de licitações. Também foi mencionado o pai dos dois, Henrique Monteiro, como alguém que operava na Secretaria de Saúde com objetivos semelhantes.

Reação das autoridades e posicionamentos legais

Em relação ao monitoramento, a Polícia Civil argumentou que, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), denúncias anônimas não são suficientes para abrir um inquérito policial, sendo usadas apenas como fontes de informação. O secretário Carvalho defendeu a necessidade de uma análise preliminar para evitar constrangimentos desnecessários.

No entanto, o advogado criminalista Yuri Herculano destacou que para a instalação de rastreadores em veículos seria necessária uma autorização judicial. “Para que haja essa invasão de privacidade, é preciso ter elementos mais robustos, um inquérito instaurado e autorização judicial”, enfatizou.

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