sexta-feira 6 de fevereiro

Mudanças no Comando da PM em Meio à Crise de Segurança

O governo da Bahia promoveu alterações significativas no comando da Polícia Militar, impulsionado pela crescente insegurança em Salvador. A decisão foi anunciada após a morte de um policial militar e uma série de operações que resultaram em intensos confrontos armados em diversos bairros da capital.

As mudanças foram oficializadas na quarta-feira, 4, através de um decreto publicado no Diário Oficial do Estado. Entre as principais alterações, destaca-se a troca de comando do Policiamento Regional da Capital – Central (CPRC-C) e a nomeação de novos responsáveis em áreas estratégicas do policiamento ostensivo.

Esses comandos regionais desempenham um papel crucial na atuação da Polícia Militar da Bahia (PMBA), sendo responsáveis pelo planejamento operacional, coordenação das tropas e execução de ações de combate à criminalidade. A substituição das lideranças ocorre em um momento de intensa pressão sobre o sistema de segurança pública da Bahia.

Nos últimos dias, Salvador vivenciou a morte de mais de dez jovens durante confrontos com as forças policiais, o que reacendeu as críticas em relação à condução das operações e ao elevado índice de letalidade policial no estado. A Bahia, historicamente, figura entre os estados com maior número de mortes resultantes de intervenções policiais.

Dados de levantamentos nacionais evidenciam que a violência policial afeta desproporcionalmente a população negra. Segundo informações do Observatório Nacional dos Direitos Humanos, em 2023, uma em cada sete mortes violentas no Brasil foi atribuída a ações policiais, com a maioria das vítimas sendo pessoas negras.

A mudança no comando da Polícia Militar é interpretada como uma resposta política do governo estadual diante do aumento da violência. Contudo, especialistas em segurança pública alertam que somente mudanças administrativas não são suficientes. É necessário que essas ações sejam acompanhadas por políticas estruturais que incluam a revisão de protocolos, investimentos na formação dos agentes e o fortalecimento de mecanismos de controle e transparência.

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