sexta-feira 20 de março

A Nova Série que Celebra a Diversidade

“Mulher Original” surge como um marco na produção audiovisual de Recife, sendo a primeira série de ficção a destacar mulheres trans e travestis em papéis centrais. Com uma narrativa que mistura afeto, investigação e uma crítica social contundente, a série promete cativar o público. As exibições acontecem no canal aberto de TV e em cinemas, com estreias marcadas para março: no dia 8 (domingo), às 21h, na TV Pernambuco, e no dia 21 (sábado), às 19h, no Cinema São Luiz, com entrada gratuita.

Ao longo dos domingos, até o dia 5 de abril, os episódios de “Mulher Original” serão apresentados na TVPE, totalizando cinco episódios, cada um com 26 minutos de duração. A série é classificada como drama e possui uma classificação indicativa de 14 anos.

Direção e Produção de Talento Local

Com a direção de Carlota Pereira e Julia Katharine, a obra é fruto da produção da Jacaré Filmes, em parceria com a Carnaval Filmes e a Piranhas Produções. O projeto foi viabilizado por meio de incentivos públicos, incluindo recursos do edital Funcultura, do Governo de Pernambuco, Fundarpe e da Secretaria de Cultura (Secult-PE), além do apoio da Agência Nacional do Cinema (Ancine) através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

A sinopse de “Mulher Original” revela um enredo intrigante: ambientada no Recife, a série acompanha as vidas de mulheres trans e travestis que se conectam ao espaço da boate Mangueirão, um local de acolhimento e resistência desde os anos 80. A trama se intensifica quando um político influente começa a ameaçar o tradicional concurso Miss Mangueirão, transformando o local em um campo de disputa simbólica que expõe relações de poder, desejo e violência.

A Importância da Representatividade

Com um olhar autoral, “Mulher Original” não apenas coloca mulheres trans e travestis no centro da narrativa, mas também transforma Recife em um cenário de resistência e memória. Carlota Pereira destaca que a cidade é apresentada como um espaço político e poético que permeia a dramaturgia LGBTQIAPN+. “Em um Brasil que enfrenta altos índices de violência contra pessoas trans e travestis, esta série se propõe a humanizar experiências e desafiar estigmas”, ressalta a diretora.

As personagens, como Nina, Wallerya, Graça, Tabata, Cris e Jéssica, lidam com questões amorosas, profissionais e existenciais enquanto tentam desvendar o assassinato de uma amiga no passado. Em meio à tensão, elas reafirmam seu direito de existir e de ocupar a cidade, consolidando uma narrativa rica em afeto, política e identidade.

Um Projeto Coletivo e Transformador

O desenvolvimento de “Mulher Original” levou mais de uma década para se concretizar. Iniciado em 2012, o projeto cresceu e se consolidou com a união de uma equipe diversificada de profissionais de Pernambuco, que se comprometeram com a estética e a escuta cuidadosa das histórias contadas. “Cada estreia representa não apenas a realização de um sonho, mas sim uma construção coletiva embasada por um compromisso político e artístico”, afirma Carlota.

Carlota Pereira, artista não binária originária de Jaboatão dos Guararapes e com experiências na periferia do Recife, faz sua estreia na televisão com esta série, investindo em elementos como espaço urbano, figurinos e texturas visuais que ampliam a profundidade emocional das personagens. Reconhecida por sua atuação na direção de arte, Carlota traz uma visão única e sensível ao projeto.

“Mulher Original” é, sem dúvida, um passo adiante na representação das vozes LGBTQIAPN+ no Brasil, oferecendo uma narrativa poderosa que reflete a diversidade e os desafios enfrentados por suas protagonistas no contexto atual. A série está programada para estrear oficialmente em 2026, mas suas exibições na TV e no cinema começam já em março, prometendo uma experiência cinematográfica impactante.

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