Hantavírus e o Surto no cruzeiro
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, no início desta semana, cinco casos de hantavírus a bordo de um cruzeiro que partiu da Argentina. Entre os casos, está um cidadão britânico de 69 anos que foi hospitalizado em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, na África do Sul.
Infelizmente, a situação se agravou após a morte de uma mulher alemã durante a viagem. O navio, que havia deixado a Argentina no começo de abril, enfrentou uma tragédia com a morte de um passageiro que contraiu o vírus. Um casal holandês também perdeu a vida em decorrência da doença. As autoridades indicam que a infecção pode ter ocorrido durante um voo em Joanesburgo.
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (7), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, minimizou a preocupação, afirmando que “a ameaça à saúde pública decorrente do surto permanece baixa”. Ele ainda alertou para a possibilidade de novos casos aparecerem devido ao longo período de incubação do hantavírus.
Esclarecimentos sobre o Hantavírus
A especialista Maria Van Kerkhove, que coordena o Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias, destacou que a situação atual é distinta da pandemia de Covid-19. “Isso não é o início de uma nova pandemia. É um surto restrito a um navio, com cinco casos confirmados. O hantavírus não se espalha da mesma maneira que o coronavírus”, explicou.
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Ela ainda reforçou que o hantavírus é raramente transmitido de pessoa para pessoa, o que diminui as chances de uma propagação ampla. Um representante da OMS está a bordo do navio, monitorando a saúde dos passageiros até a chegada em Tenerife, na Espanha.
Pais de Origem dos Passageiros
A OMS também fez um levantamento dos países de origem dos passageiros que desembarcaram em Santa Helena, onde o navio fez uma parada. Entre eles estão: Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. A organização notificou os governos desses países para que possíveis casos de hantavírus possam ser acompanhados com mais rigor.
Detalhes dos Casos Confirmados
Durante a coletiva, Tedros Adhanom detalhou a evolução de cada um dos casos. O primeiro registro foi de um homem que começou a apresentar sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Não foram coletadas amostras na época, e a infecção por hantavírus foi descartada.
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O segundo caso foi de sua esposa, que desembarcou em Santa Helena e também apresentou sintomas. Ao piorar, ela foi evacuada para Joanesburgo, mas não resistiu e faleceu no dia seguinte. As amostras dela foram confirmadas como hantavírus.
A terceira morte envolveu uma mulher de origem alemã, que faleceu em 2 de maio após desenvolver sintomas em 28 de abril. Um quarto caso foi de um homem que procurou atendimento médico no navio em 24 de abril e foi evacuado em 27 de abril. Ele permanece em terapia intensiva na África do Sul.
Além disso, duas pessoas estão internadas em estado estável, enquanto uma outra, assintomática, já foi liberada na Alemanha.
Investigações em Outros Países
A OMS também está atenta a casos suspeitos fora do cruzeiro. Pacientes na França, Holanda e Singapura estão sendo investigados por possíveis infecções. Na França, um cidadão teve contato com um infectado, mas não apresenta sintomas. Na Holanda, uma comissária de bordo da KLM, que teve contato com a viúva de uma das vítimas, está internada e sob observação.
Nos Estados Unidos, Califórnia, Geórgia e Arizona estão monitorando pacientes que apresentam sintomas semelhantes. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, confirmou que o país está em alerta e monitorando a situação de perto.
O que é Hantavírus?
O hantavírus é um patógeno que causa a hantavirose, manifestando-se, entre outros quadros, como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, a infecção pode levar a complicações severas no sistema cardiovascular e respiratório.
A transmissão ocorre principalmente pela inalação de aerossóis que contêm o vírus, eliminados por roedores infectados através de suas fezes, urina e saliva. Embora a infecção seja raramente transmitida entre pessoas, existem casos documentados, como foi o caso do hantavírus Andes, registrado na Argentina e no Chile.
