quinta-feira 30 de abril

Uma Tradição Musical no Recife

Desde sua criação em 2018, o Panela do Jazz conquistou seu espaço no calendário cultural de Recife. Neste ano, a nova edição do festival está confirmada para o dia 21 de novembro, trazendo mais uma programação gratuita repleta de música instrumental no Poço da Panela, localizado na Zona Norte da cidade. Com o tema “Quilombo Sonoro: Liberdade e Ancestralidade – As Mil Faces das ‘Coisas’ de Moacir Santos”, o evento fará uma homenagem ao renomado músico pernambucano, que completaria 100 anos em 2026, caso estivesse vivo.

O festival não se limita apenas à música. Este ano, o Panela do Jazz contará com uma variedade de atividades, incluindo formações, uma área gastronômica, uma feira de economia criativa e diversas intervenções artísticas. O tema escolhido para a edição de 2023 busca resgatar o quilombo como uma metáfora de criação coletiva, incentivando uma reflexão sobre resistência e inovação na música instrumental. Além disso, a ancestralidade é abordada como uma força viva e contemporânea, essencial para a construção da identidade cultural.

Musicalidade e Improvisação em Destaque

“A música que surge de matrizes afro-brasileiras, além das tradições populares e do jazz instrumental brasileiro, enfoca a arte da improvisação como elemento central na programação musical do Panela do Jazz. Estéticas rítmicas, como o afoxé, o maracatu nação e o coco de embolada, também são valorizadas”, destaca Antonio Pinhêiro, idealizador e curador do festival.

As atividades de formação para 2026 seguirão um enfoque similar, mas agora com um olhar voltado para a escuta e a memória. Tanto as formações quanto a programação musical serão anunciadas gradualmente nos próximos meses, com atualizações disponíveis no perfil oficial do festival no Instagram: @paneladojazz.

A Homenagem a Moacir Santos

Moacir Santos, nascido em 1926 no sertão do Pajeú, é um dos músicos mais importantes do Brasil, e seu centenário é motivo de celebração. O festival Panela do Jazz optou por homenageá-lo este ano, reconhecendo seu legado musical que ultrapassa fronteiras. Desde a infância, com o apoio da família adotiva, Moacir se destacou na música, atuando inicialmente na banda da Polícia Militar da Paraíba. Ele se tornou um músico itinerante até se estabelecer no Rio de Janeiro, onde se tornou um influente compositor e arranjador.

Durante os anos 1950, Moacir lecionou para nomes de peso da Bossa Nova, como Nara Leão e Carlos Lyra. Em meados da década de 1960, ele se mudou para os Estados Unidos, onde se dedicou à composição de trilhas sonoras. Seu projeto “Ouro Negro”, iniciado em 2001 e lançado em 2004, trouxe um novo fôlego para sua carreira, com a colaboração de artistas renomados como Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Identidade Visual e Representatividade Cultural

No contexto do Panela do Jazz, as composições de Moacir Santos ecoam a ancestralidade nagô e o afro jazz brasileiro, elementos que inspiram tanto a programação artística quanto a nova identidade visual do festival, criada pelo artista pernambucano AfroG. Antonio Pinhêiro enfatiza que esta edição contará predominantemente com artistas locais, ressaltando a importância da cultura popular afro pernambucana e a reverência ao legado de Moacir Santos na formação do afrojazz brasileiro.

Arte e Sustentabilidade

O festival também abraça uma abordagem sustentável, fundamentada na teoria de “biointeração sustentável” do filósofo e poeta Nego Bispo (in memorian). Para 2026, a curadoria do Panela do Jazz se compromete a integrar a música e a arte com a preservação ambiental, reconhecendo que a relação entre cultura e natureza é essencial para a existência humana.

A crescente conscientização sobre a sustentabilidade, que se tornou um tema central nas edições anteriores do festival, agora se reflete no conceito “Arte e Cultura em Movimento Sustentável”. Segundo Pinhêiro, esta iniciativa busca não apenas gerar renda, mas promover desenvolvimento social e turístico regenerativo, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A programação de 2026 refletirá essa proposta, acompanhando a descentralização artística inspirada nas obras de Moacir Santos.

O Festival Panela do Jazz 2023 é patrocinado pela Neoenergia e pelo Instituto Neoenergia, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

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