sábado 4 de julho

Passinho do Jamal conquista palcos e campos de futebol

Desde que surgiu nas periferias do Recife há cerca de um ano, o Passinho do Jamal se tornou uma sensação em diversos tipos de celebrações. A coreografia, criada pelo recifense Romero Silva Oliveira Junior, conhecido como Jamal, ganhou destaque inicialmente em encontros de dança do brega funk, chamados “muvucão”. Mas, de forma surpreendente, esse movimento ultrapassou as festas locais e chegou aos gramados, sendo utilizado por jogadores renomados como o brasileiro Endrick, o espanhol Lamine Yamal e até pela seleção de Cabo Verde para comemorar gols e títulos na Copa do Mundo, evento que acontece neste mês.

“É o maior evento do mundo, e você vê as pessoas fazendo algo que você criou e ainda sendo reconhecido pelo público. Isso é muito gratificante”, comenta Jamal, de 26 anos, em entrevista ao Diario de Pernambuco. A conversa aconteceu na comunidade do Campo do Onze, em Santo Amaro, onde Jamal estava acompanhado pelo MC Eo Chapa e Igor Tafarel, parceiros que produzem músicas e vídeos de dança com ele. O trio chamou a atenção especialmente de jovens e crianças, muitos deles inspirados pelo sucesso do Passinho do Jamal. Um estudante da rede pública estadual chegou a mostrar a prova de matemática que acabara de fazer, com uma questão sobre a coreografia, reforçando a afirmação do próprio Jamal: “Virou cultura!”.

Transformação e profissionalização da Tropa do Jamal

Chapa, MC e parceiro de Jamal, destaca as mudanças que o grupo “Tropa do Jamal” viveu desde que o brega funk “Toma Botada” – do qual é um dos autores – alcançou o Top 3 Virais do Spotify em outubro do ano passado graças à dança. “Antes, o Passinho do Jamal era visto como um meme. Hoje, ele é cultura, está fincado na comunidade. Conseguimos uma equipe para gerir nossa carreira e agora somos reconhecidos como artistas que revolucionaram o brega funk”, explica. O sucesso permitiu que Chapa deixasse seu trabalho como servente de pedreiro para se dedicar integralmente às criações, assim como Jamal, que abandonou a função de entregador de água.

Além disso, Chapa montou um estúdio profissional em seu quarto para aprimorar suas produções musicais. “Quero aprender a produzir meus próprios beats. A ideia é criar a TJ no Beat ou a TJ Produtora (Tropa do Jamal Produtora), para não depender de DJs externos e evitar perder créditos nas músicas”, detalha o MC.

Reconhecimento e desafios com autoria do Passinho

O cuidado com a autoria não é por acaso. O Passinho do Jamal ganhou destaque mundial, sendo incorporado até por artistas do kpop, como a banda BTS, e por grupos folclóricos das Filipinas. No entanto, recentemente, a dança foi erroneamente atribuída a um influenciador carioca, o que deixou Jamal incomodado. “Agradeço quem está disseminando o passinho, mas me chateia ver que estão creditando a criação a outra pessoa. Eu só quero usufruir do que criei”, afirma ele, empenhado em corrigir essa confusão.

Em entrevista dada ao Diario em outubro de 2025, Jamal explicou que sua criação surgiu a partir de movimentos antigos do brega funk. “Faço esse passinho há alguns anos. Comecei na época do Boca Ratão, que tinha um passo só com os pés: dois para um lado e dois para o outro. Eu quis inovar e acrescentei movimentos com as mãos”, relembrou.

Com mais de 533 mil seguidores no Instagram, Jamal acredita que seu alcance poderia ser ainda maior se fosse sempre reconhecido devidamente. Apesar dos desafios, ele mantém a confiança: “Muita gente usa meu passinho, e alguns abusam da nossa fé. Mas acredito que Deus está no controle e o que for nosso, será nosso”.

Planos futuros e expectativa pela Copa do Mundo

Para ampliar ainda mais o reconhecimento, Jamal e seus parceiros pretendem continuar produzindo brega funk, dança e conteúdo humorístico para as redes sociais. Além disso, mantêm a esperança de ver a seleção brasileira campeã na Copa do Mundo. “Acredito que o Brasil vai vencer a França na final. Vai ter gol do Endrick e, claro, passinho também”, aposta Igor Tafarel, reforçando a presença cultural do Passinho do Jamal no cenário esportivo mundial.

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