domingo 12 de abril

O Pinhão: Semente de Tradição e Sustento

O pinhão, uma semente que faz parte da dieta brasileira há séculos, é mais do que um alimento; é um símbolo cultural e econômico da Serra da Mantiqueira, especialmente na cidade de Cunha, em São Paulo. Conhecida por sua rica biodiversidade e clima propício, Cunha se destaca como a principal produtora desse alimento, que agora é considerado o ‘ouro da serra’.

Tradicionalmente consumido por povos indígenas, o pinhão sempre teve um papel vital na alimentação por ser nutritivo e disponível em abundância nas áreas mais frias. Ao longo dos anos, essa semente foi incorporada à culinária caipira e, recentemente, começou a brilhar também na alta gastronomia.

“Na nossa cultura, o pinhão é preparado de várias formas, como torrado na chapa do fogão à lenha ou na brasa, cozido e até em caldinhos. Hoje, restaurantes criam pratos que realçam esse produto que vem das roças”, compartilhou Joás Ferreira, presidente da Associação dos Moradores, Produtores Rurais e Empreendedores da Estrada do Paraibuna (Amprasp).

De acordo com Ferreira, a valorização da origem é um diferencial importante. “É fundamental que todos reconheçam a importância da origem caipira do pinhão. Essa é uma tradição cultural muito forte para nós”, destacou.

Produção Sustentável em Cunha

Com uma produção anual estimada em cerca de 800 toneladas, Cunha se destaca como o município paulista com a maior quantidade de pinhão. Esse sucesso se deve às condições climáticas e geográficas da região, que são ideais para o crescimento da araucária, uma árvore nativa que pode atingir quase 2 mil metros de altitude.

A colheita do pinhão é realizada predominantemente entre abril e maio e é feita de maneira artesanal. Mais de 200 coletores atuam na cidade, muitos deles agricultores familiares que veem na safra uma importante fonte de renda.

“Alguns agricultores consideram o pinhão como um ’13º salário’, pois ajuda muito no sustento das famílias”, observou Joás.

Impacto Econômico e Cultural do Pinhão

Além de beneficiar o campo, o pinhão também movimenta a economia urbana. Restaurantes, feiras e eventos gastronômicos aproveitam a safra para atrair turistas e gerar empregos temporários. Um dos eventos mais emblemáticos é a Festa do Pinhão, que ocorre na praça central de Cunha.

Na sua 24ª edição, a festa reúne produtores, moradores e visitantes em um grande festejo de sabores locais. “Encaramos a festa como uma celebração da safra. É um dos eventos mais relevantes da cidade, onde são comercializadas entre quatro e cinco toneladas de pinhão apenas durante o evento”, contou um entusiasmado Ferreira.

Durante a festa, o público tem a oportunidade de saborear o pinhão em sua forma mais pura e em preparações inovadoras, que incluem bolos, pães, linguiça, brigadeiro e até gelato, evidenciando a versatilidade desse ingrediente.

Pinhão: Um Símbolo Vivo da Identidade de Cunha

Combinando cultura, economia e gastronomia, o pinhão solidifica sua posição como um dos maiores ícones da identidade de Cunha. Este alimento simples conquistou tanto as cozinhas tradicionais quanto os cardápios mais sofisticados.

“Para nós, o pinhão é mais do que um alimento; é parte da identidade cultural de Cunha e da história das famílias que dependem da araucária. Ele movimenta a economia local, garante a subsistência de coletores e agricultores familiares e impulsiona o turismo durante a safra. É uma tradição que se origina da roça e, ao mesmo tempo, ganhou prestígio na alta gastronomia sem perder suas raízes caipiras. No final das contas, o pinhão é um símbolo vivo de Cunha”, enfatizou Joás Ferreira, reforçando a importância dessa semente para a comunidade.

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