Contexto Eleitoral em Pernambuco: Uma Escolha Decisiva
Na corrida eleitoral de 2026, os cidadãos pernambucanos não apenas votarão para cargos como governador, senadores e representantes na Câmara, mas também para a presidência do Brasil. Este pleito se destaca por sua natureza plebiscitária, onde a escolha não se limita a preferências partidárias, mas se configura como uma decisão sobre o futuro do país. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, um político consagrado, e do outro, um nome pouco conhecido, que carrega a herança do ex-presidente Jair Bolsonaro, figura central na atual polarização política.
As eleições deste ano, portanto, transcendem a política local e se inserem em um cenário nacional tenso, onde a dicotomia entre democracia e autoritarismo será determinante. A população deverá decidir entre continuar o caminho democrático ou ceder a avanços do extremismo.
As Raízes da Política em Pernambuco
Refletindo sobre o passado político de Pernambuco, é impossível não lembrar de Eduardo Campos, ex-governador e candidato à presidência, que se autodenominava um “caçador de raposas políticas”. Ele criticava a “velha política” durante seu tempo em campanha e clamava pela renovação. Agora, doze anos após sua partida, seu filho, João Campos, ex-prefeito do Recife, disputará o governo com Raquel Lyra, atual governadora e figura com histórico político próximo à família Campos.
As críticas à velha política permanecem relevantes, pois tanto João quanto Raquel estão cercados por indivíduos e interesses que Campos tão fervorosamente denunciava. A presença das chamadas “raposas políticas” em suas campanhas é um indicativo de que as estruturas de poder tradicionais continuam a prevalecer, independentemente do resultado das eleições.
A Privatização em Debate: Lições do Passado
Um dos temas mais debatidos nas eleições é a privatização, particularmente à luz da experiência negativa com a privatização da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), ocorrida em 2000. Embora as promessas de tarifas justas e melhorias nos serviços tenham sido feitas, a realidade se mostrou bem diferente, com aumento nas contas de energia e deterioração na qualidade do atendimento ao consumidor.
Pesquisas realizadas ao longo dos anos mostram que a desaprovação da privatização alcança índices alarmantes. Dados do Instituto Maurício de Nassau, de dez anos atrás, indicavam que 70% da população reprovava a venda da estatal, e estima-se que essa desaprovação tenha se intensificado. Apesar disso, a renovação do contrato com a Neoenergia foi antecipada, permitindo que a empresa continue suas operações até março de 2060, sem uma discussão pública ampla e transparente.
Privatização da Compesa: Um Novo Capítulo?
A atual disputa eleitoral também traz à tona a questão da privatização da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Raquel Lyra já defende e implementa um modelo de concessão para a empresa, uma prática que muitos consideram uma forma de privatização. O leilão para a concessão foi realizado em dezembro de 2025, resultando em um consórcio que envolve grandes investidores. No entanto, o governo estadual evita o uso do termo “privatização”, preferindo se referir a “concessões”, o que leva a uma confusão intencional no eleitorado.
Por outro lado, a gestão de João Campos, marcada por privatizações de áreas públicas na cidade do Recife, também gera controvérsias. Seus projetos, que incluem a privatização de espaços como a orla de Boa Viagem, foram criticados por elitizar o acesso a áreas que deveriam ser de uso público, gerando receios sobre os altos custos de serviços para a população.
Desafios e Propostas para um Futuro Melhor
Infelizmente, tanto João Campos quanto Raquel Lyra não parecem oferecer uma visão clara e promissora para um futuro mais justo e próspero para Pernambuco. As forças políticas retrógradas que permeiam suas campanhas não apresentam alternativas que priorizem o bem-estar social. O crescimento do discurso extremista representa um risco real à democracia, um cenário que deve ser combatido por todos que acreditam em um futuro democrático e inclusivo.
É imperativo que a população esteja atenta e cobre de seus futuros governantes um compromisso sério com a democracia e a justiça social, começando pela luta contra a privatização desenfreada que ameaça os direitos básicos da coletividade.
